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FMI analisa enviar missão à Argentina na semana que vem

O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que "talvez" na semana que vem envie uma missão a Buenos Aires. Esta missão, com características mais técnicas que negociadoras, seria o passo prévio para a reta final das discussões sobre o novo programa financeiro para a Argentina.O anúncio do provável envio da missão foi feito pelo porta-voz do FMI, Thomas Dawson, que também sustentou que "a Argentina cumpriu as condições suficientes para começar uma negociação destinada a reestabelecer o crédito". Mas, para o Secretário de Tesouro dos Estados Unidos, John Taylor, "ainda está sendo discutido tudo". Segundo Taylor, agora "depende da Argentina. Mas estou vendo que existem progressos".O porta-voz do presidente Eduardo Duhalde, Eduardo Amadeo, comemorou o anúncio de uma possível vinda da missão do Fundo, sustentando que "agora acabou a discussão dos condicionamentos, e começaremos a discussão da economia".No início da noite de hoje, nos corredores do Ministério da Economia, em Buenos Aires, especulava-se que o FMI viria com mais exigências. Uma delas seria um mecanismo para impedir a hiperinflação. Uma das saídas analisadas era a criação de uma cesta de moedas, enquanto que outra opção era a criação de uma nova conversibilidade econômica, que implicaria em uma paridade fixa de 3 pesos para US$ 1. Além disso, o FMI pretenderia que o governo argentino implemente uma série de reformas estruturais que ainda não foram feitas.Enquanto isso, outro setor do governo argentino estava ofendido pelas declarações feitas na véspera pelo diretor do FMI, Horst Koehler, que havia dito que a Argentina o "irritava" pela lentidão na implementação das medidas econômicas na área fiscal.O chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, retrucou afirmando que o FMI deveria ter "muita prudência" ao se referir à Argentina: "Existem muitas coisas neste mundo globalizado que vemos com irritação - e que com certeza são mais irritantes do que a Argentina - mas nós não saímos comentando isso por ali."Além disso, Atanasof sustentou que se o Fundo quer que a Argentina encaminhe mais rapidamente as medidas, "que ele nos ajude com mais rapidez". No entanto, o chefe do gabinete de ministros, um dos principais assessores do presidente Duhalde, admitiu que o país está "atrasado" em relação ao ajuste fiscal.O problema estaria sendo causado por diversos governos provinciais, que ainda não assinaram os acordos individuais de ajuste de 60% de seus déficits fiscais.Hoje, o mercado foi abalado pela informação de que a província de Santa Fé, a terceira maior do país, não havia assinado o acordo de ajuste, como havia sido anunciado. O governador dessa província, o ex-piloto de Fórmula 1 Carlos Reutemann, explicou que o que havia sido assinado era uma "carta de intenção". Reutemann sustentou que o pacto fiscal será assinado daqui a 40 dias, quando o governo federal pagaria suas dívidas com a província.Ainda não assinaram os acordos as províncias de Entre Ríos, Corrientes, Chaco, Formosa, Catamarca, San Juan, Mendoza e Neuquén. Outras províncias, como as de Córdoba, Tucumán e outras onze seguiram o caminho de Santa Fé e só assinaram uma carta de intenções. Somente a província de Buenos Aires (responsável por 50,4% do déficit total das províncias argentinas) assinou o acordo de ajuste definitivo. Além disso, outras duas províncias, a de Santa Cruz e a de San Luis, anunciaram que não vão assinar de forma alguma.Alguns governadores esperam a chegada da missão do Fundo para realizar negociações diretas e tentar driblar o ajuste, pelo menos, em parte.Essa é a intenção de Reutemann, mas também do governador da província de Buenos Aires, Felipe Solá, e do governador de Salta, Juan Carlos Romero.Neste contexto de novas indefinições, o dólar voltou a subir na Argentina. Nos bancos que ainda operavam baseados na cotação do Banco Central, a moeda norte-americana terminou o dia em 3,60 pesos. O dólar nas casas de câmbio acabou a jornada em 3,75 pesos.Para conter a alta do dólar, o Banco Central perdeu hoje US$ 42 milhões. Na véspera, o BC havia vendido US$ 20 milhões. Desde que a moeda americana começou sua disparada em março, o BC já gastou 2,7 bilhões para deter sua escalada. Só em maio teriam sido usados US$ 2 bilhões, tanto para conter o dólar como para o pagamento de dívidas com organismos financeiros internacionais. Isto causou uma drástica queda nas reservas internacionais, que estariam em US$ 10 bilhões.Temendo ser acusado de estar dilapidando as reservas internacionais argentinas, o presidente do BC, Mario Blejer, preferiu se precaver, e obteve do presidente Duhalde uma autorização por escrito para a venda de reservas.No entanto, a itenção do BC seria a de gradualmente - mas de forma rápida - deixar de intervir para conter o dólar. O motivo desta retirada é o risco de as reservas caírem significativamente abaixo da fronteira de US$ 10 bilhões.Esta fronteira, se for conseguido o acordo financeiro com o Fundo, não seria um problema. Mas viria a ser um pesadelo se o acordo com o organismo financeiro demorar mais ainda. Um dos primeiros passos, a ser tomado nos próximos dias, seria o de deixar de vender dólares ao público, o que está fazendo através de bancos e de algumas casas de câmbio, como forma de manter o dólar relativamente domado.

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