Hélvio Romero/Estadão - 9/12/2019
Hélvio Romero/Estadão - 9/12/2019

Ilan Goldfajn será o primeiro diretor brasileiro no FMI para o Hemisfério Ocidental

Ex-presidente do Banco Central e atual presidente do conselho do Credit Suisse Brasil, o economista assumirá o cargo em janeiro de 2022 e disse que vai seguir sua vocação 'de contribuir com a sociedade'; seleção foi feita pela própria diretora do FMI

Beatriz Bulla, correspondente, e Altamiro Silva Jr., O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2021 | 12h55
Atualizado 13 de setembro de 2021 | 19h49

WASHINGTON E SÃO PAULO - O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta segunda-feira, 13, que o ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn será o novo diretor do departamento de Hemisfério Ocidental da instituição. Escolhido pela diretora-gerente, Kristalina Georgieva, Goldfajn será o brasileiro que assume o cargo mais alto no FMI desde a saída do economista Murilo Portugal, que deixou o posto de subdiretor-geral do fundo em 2011 para presidir a Febraban.

Não há registro na história recente do banco de um brasileiro na chefia do departamento que é um dos principais cargos da instituição em Washington. O Departamento do Hemisfério Ocidental é responsável pelo acompanhamento da política econômica dos países membros nas Américas, incluindo Estados Unidos e Brasil.

O ex-presidente do BC irá assumir em 3 de janeiro de 2022 a vaga que foi ocupada de 2013 até 31 de agosto deste ano pelo mexicano Alejandro Werner, que se aposentou e deixou o posto vago.

A escolha do diretor foi feita diretamente por Georgieva, após uma seleção interna, sem indicação política. O governo brasileiro, portanto, não é consultado oficialmente para a vaga. Informalmente, no entanto, o fundo costuma manter conversas com o país de nacionalidade dos escolhidos para a diretoria antes de fazer o anúncio. A instituição fez uma espécie de sondagem nos bastidores junto ao Ministério da Economia, que não apresentou objeção à escolha de Goldfajn, segundo fontes ouvidas pelo Estadão.

"Estou muito satisfeita por Ilan se juntar à nossa equipe como o novo diretor do WHD (Departamento do Hemisfério Ocidental, na sigla em inglês)", escreveu Georgieva, na nota divulgada pelo FMI. "Ele tem uma experiência impressionante nos setores público e privado e é altamente respeitado como acadêmico. Seu histórico comprovado como formulador de políticas, comunicador, bem como seu profundo conhecimento como executivo financeiro internacional e sua familiaridade com o trabalho do Fundo serão inestimáveis para ajudar nossos países-membros na região”, afirmou.

Goldfajn tem nacionalidade dupla, brasileira e israelense. O economista presidiu o BC de maio de 2016 a fevereiro de 2019, indicado pelo ex-presidente Michel Temer. Ele já trabalhou como economista do fundo entre 1996 e 1999. “Estou muito satisfeita que Ilan esteja voltando para nós neste momento crucial e que possamos nos beneficiar de sua experiência excepcional à medida que continuamos a ajudar os países da região a construir economias mais resilientes e inclusivas”, escreveu Georgieva.

Ex-presidente do BC diz que irá seguir sua 'vocação'

Atualmente, Ilan Goldfajn é presidente do Conselho do Credit Suisse Brasil. No comunicado divulgado pelo banco, o ex-presidente do BC afirmou que irá seguir sua "vocação", "que é a de contribuir com a sociedade em um cargo público, desta vez em uma organização internacional". "A economia mundial vive um momento muito desafiador, agravado pela pandemia da covid-19, e a oportunidade de colaborar a partir dessa posição no FMI me deixa entusiasmado", afirmou.

Para o cargo de Ilan no comando do conselho do Credit Suisse no Brasil, o banco europeu anunciou a executiva Ana Paula Pessoa, que assume o posto a partir de janeiro. Ela já está no conselho do banco no exterior, além de participar do conselho de empresas como Suzano e Cosan no Brasil e da News Corporation em Nova York. 

A executiva ainda é sócia, investidora e presidente do conselho da Kunumi AI, empresa de inteligência artificial 100% brasileira, além de estar no conselho de outras empresas, incluindo as brasileiras Suzano e Cosan e a americana News Corporation. Também trabalhou por 18 anos em diversas empresas das Organizações Globo.

Em nota, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Credit Suisse, Antonio Horta-Osório, e Thomas Gottstein, CEO do Grupo Credit Suisse, declararam estamos confiantes de que Ana Paula Pessoa "contribuirá para melhorar ainda mais o alinhamento da nossa franquia brasileira com a estratégia e visão global do banco”.

Ilan Goldfajn ficou dois anos no Credit, onde entrou em setembro de 2019. Sua saída é a segunda grande baixa do banco europeu este ano no Brasil. O presidente José Olympio Pereira anunciou em maio que vai deixar o cargo. Atualmente, ele e Ilan estão no processo da busca de um novo executivo. 

Brasileiros no FMI

No FMI, Carla Grasso foi a brasileira com cargo mais alto desde 2011. Ela era diretora administrativa e subdiretora-geral, posto que ocupou até fevereiro de 2016, um ano depois de entrar na instituição. 

Antes de Grasso, o economista Murilo Portugal chegou a ser vice-presidente da instituição multilateral, primeiro do alemão Dominique Strauss-Kahn, que foi forçado a renunciar ao posto em 2011 após acusação de estupro por uma camareira, e depois da francesa Christine Lagarde, atualmente presidente do Banco Central Europeu (BCE). 

Portugal ocupou este posto de 2006 a 2011, quando voltou ao Brasil para ser presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Esta foi sua segunda passagem pelo FMI. Na primeira, de 1998 a 2005, foi diretor executivo. 

Como país-membro, o Brasil tem direito a apontar um diretor-executivo para o Fundo, que representa os interesses do governo brasileiro na instituição. Mas essa é uma escolha do Planalto, não um cargo de carreira da instituição. O ex-presidente do BC, Alexandre Tombini, foi indicado ao cargo em 2016, no lugar do economista Otaviano Canuto. Com a saída de Tombini, Afonso Bevilaqua foi indicado. / COLABOROU FILIPE SERRANO

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