FMI: biocombustíveis de alimentos criam 'problema moral'

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que os biocombustíveis representam "um problema moral" e não descarta apoiar uma moratória contra sua produção. Segundo ele, a crise dos alimentos no mundo pode estar apenas começando e não descarta que a alta dos preços, se continuar, pode gerar a queda de governos e até guerras.Strauss-Kahn insinuou que existe uma diferença entre o etanol a partir de milho nos Estados Unidos e o etanol brasileiro, feito a partir da cana. "Quando fazemos biocombustíveis de produtos agrícolas não usados para a alimentação, tudo bem. Mas quando são feitos de produtos alimentícios, isso representa um verdadeiro problema moral", disse.Nos últimos dias, líderes dos países ricos voltaram suas atenções para o campo. Em entrevista hoje à rádio francesa Europe-1, Strauss-Kahn deixou claro que o FMI está "muito preocupado" com as crises que vem se proliferando do Haiti, Egito e Ásia, pressionando a inflação na Europa e ainda derrubando políticos. "Esse deve ser um assunto que todo o planeta deve lidar", afirmou.Desde meados do ano passado, os alimentos já tiveram uma alta de 40% e, para países pobres, essa inflação representou um aumento do número de famintos e pobres. "Em termos de conflitos por causa dos alimentos, o pior está infelizmente por vir. Centenas de milhares de pessoas serão afetadas", afirmou o diretor do FMI, que acredita que o crescimento da economia mundial somente será retomado em 2009 e que o pior momento deverá ser o final do ano.Para ele, até mesmo regimes democráticos estariam em perigo diante de uma crise na alimentação. "Quando as tensões vão além do normal e democracias são questionadas, existem riscos de guerras", afirmou. "A história está repleta de guerras que começaram a partir de problemas como esse", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.