FMI: Brasil não adotará postura populista em ano eleitoral

O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anoop Singh, disse estar confiante de que o Brasil não adotará uma postura populista no ano eleitoral. Segundo ele, a política econômica do Brasil e a confiança do mercado na política pública brasileira são muito sólidas. Esta percepção é confirmada, de acordo com Singh, pelo risco Brasil - taxa que mede a confiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do país - abaixo dos 400 pontos-base. Ontem, o risco Brasil encerrou o dia em 363 pontos. Isso significa que, para negociar os títulos brasileiros, o investidor exige um prêmio de 3,63 pontos porcentuais acima dos juros pagos nos títulos norte-americanos, considerados sem risco. Crescimento econômico O diretor do FMI lembrou ainda que o crescimento econômico brasileiro está robusto, recuperando no segundo trimestre. "E, mais importante, temos a inflação de volta dentro da banda da meta, e as expectativas apontam para uma inflação no final do ano para ao redor de 5,1%, além de uma ´overperformance´ do superávit primário (arrecadação menos despesas, exceto pagamento de juros)", disse. Singh disse que, no caso do Brasil, observa-se os dividendos dessa política econômica adotada e uma elevada confiança do mercado quanto a essa política. Eleições na América Latina Singh disse não estar preocupado com o período de eleições presidenciais na América Latina nos próximos 18 meses, uma vez que há em muitos países da região uma situação de estabilidade macroeconômica e que as equipes econômicas de vários governos, incluindo o Brasil, estão comprometidas em manter essa estabilidade. A situação atual, disse ele, é bastante diferente dos períodos eleitorais na América Latina há dez anos. "É uma coisa ter eleições presidenciais e incertezas políticas durante períodos de instabilidade macroeconômica. Mas o que temos agora na região, largamente, é estabilidade macroeconômica. Além disso, temos equipes econômicas em todos os países comprometidos em preservar essa continuidade de estabilidade macroeconômica", afirmou. Singh destacou que, ao olhar para a experiência de outros países, as eleições ocorridas em períodos de estabilidade econômica não devem gerar temores. "Na realidade, tornam-se eventos que permitem a governos assegurar um fortalecimento do debate necessários para levar adiante reformas estruturais", disse. "Assim, quer seja o Brasil ou qualquer outro país, temos estabilidade macroeconômica e equipes econômicas comprometidos em preservá-la, e isso é uma melhora muito importante no ambiente para ocorrer eleições", afirmou.

Agencia Estado,

23 Setembro 2005 | 12h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.