FMI busca reduzir expectativa sobre visita de Lenicov

Preocupado com o clima de tudo ou nada que a imprensa de Buenos Aires criou nos últimos dias em torno da visita de dois dias que o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, inicia amanhã à Washington, o Fundo Monetário Internacional (FMI) tratou ontem de reduzir ao máximo as expectativas sobre o que a viagem poderá produzir. O porta-voz do Fundo, Francisco Baker, avisou a instituição que será econômica em seus comentários sobre a Argentina nos próximos dias. "Não se deve esperar muito, do nosso lado", afirmou Baker. Idêntica sugestão foi transmitida a um conselheiro informal de Lenicov, que chegou a Washington no final de semana para fazer um avaliação sobre a disposição que o representante argentino encontrará no FMI e no governo dos Estados Unidos. Lenicov almoça nesta terça-feira com o diretor-gerente do FMI, Horst Koehler. No Fundo, ele deve reunir-se também com a vice-diretora gerente, Anne Krueger, e com o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental. Se a complexidade da crise econômica e política que a Argentina enfrenta não bastasse para dificultar o diálogo, este será complicado, também, pelo fato de Lenicov não falar inglês. O ministro argentino tem encontros marcados também com o secretário do Tesouro. Na quarta-feira, ele será recebido pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias, e almoçará com os membros da diretoria executiva da instituição. O ministro terá encontro também pelo presidente do banco Mundial, James Wolfesohn. Lenicov chega avisado de que o máximo que poderá conseguir em suas conversas é convencer o FMI e o Tesouro a intensificar os contatos com o governo argentino e caminhar para a montagem de um programa econômico sustentável, baseado em premissas realistas. Segundo fontes bem informadas, se as conversas forem bem sucedidas, resultarão no desembolso gradual e controlado de um total de US$ 15 bilhões em linhas de crédito que as instituições multilaterais já aprovaram para a Argentina, mas não desembolsaram diante do agravamento da crise. O plano que Lenicov apresentou na semana passada foi recebido com um total silêncio do FMI, entre outras razões porque parte de pressupostos fantasioso, como, por exemplo, uma inflação de 20% ao ano. "Ao deixar a moeda flutuar e converter em pesos os ativos e passivos denominados em dólar, o governo argentino fez, finalmente, o que estava óbvio há dois meses que teria que ser feito", disse ao Estado o economista John Williamson, do Institute of International Economics. "O custo dessa demora para o país foi enorme, mas o importante agora é que estão dadas aos condições que permitem uma conversa com entre o país e o FMI". Um anúncio do lançamento de negociações formais com vistas a um acordo é o máximo que Lenicov poderá alcançar em Washington. Mas, como sugere a declaração do porta-voz do Fundo, mesmo essa meta passou a ser vista como demasiadamente ambiciosa depois que o grupo dos sete países mais industrializados endossou a posição adotada pelo departamento do Tesouro frente à crise argentina, em reunião encerrada no sábado, no Canadá. O Tesouro americano condicionou seu apoio a um acordo entre o FMI e a Argentina à apresentação de um programa econômico com bases fiscais sólidas e realistas e um compromisso do governo do presidente Eduardo Duhalde de respeitar os direitos dos credores.

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