FMI conclui hoje a revisão do acordo com a Argentina

Depois de quase duas semanas de trabalho, a missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá concluir hoje a revisão das metas do atual acordo com a Argentina e retornar à Washington nesta noite. Segundo fontes do ministério de Economia, a missão aprovou as metas do acordo que terminará no próximo dia 31 de agosto e abrirá caminho para as negociações do novo acordo de longo prazo. As pautas de superávit fiscal, emissão monetária, inflação e cambial foram cumpridas ao pé da letra, mas o mesmo não ocorreu com alguns compromissos, como a aprovação da lei de compensação dos bancos e os ajustes de tarifas públicas, dentre outros. Porém, o FMI aceitará que estes sejam incluídos na nova Carta de Intenções, e o governo argentino poderá somente ter que fazer um pedido formal de perdão à diretoria do organismo, a qual deverá reunir-se em breve para aprovar a revisão das metas. Uma fonte do ministério afirma que a expectativa da equipe econômica é otimista em relação ao novo acordo, que poderia se assinado antes do dia 9 de setembro, data do primeiro vencimento de dívidas da Argentina com o FMI, de uns US$ 3 bilhões. De acordo com a fonte, a diretoria do FMI poderia aceitar o pedido do governo de refinanciar a totalidade da dívida que o país mantém com o organismo por um período de dois anos. Em troca, o FMI não desembolsaria nenhum dinheiro novo neste prazo. Para conseguir a rolagem da dívida, o presidente Néstor Kirchner teria que cumprir vários requisitos: superávit anual mínimo de 3%; encaminhamento rápido da reestruturação da dívida com os credores privados para uma igualmente veloz retomada do pagamento da mesma; reforma do sistema financeiro; implementação de mecanismos de estímulo ao investimento. Sob estas condições, o FMI aceitaria alongar os prazos de seus vencimentos mas não aceitará nenhum corte de capital da dívida argentina com o organismo, como se chegou a ser comentado dentro e fora do governo. A fonte explica que, para o FMI, é muito melhor baixar a exigência de superávit primário de 4% e evitar que o país entre em recessão e não consiga retomar o pagamento da dívida, do que ter um superávit de 3%, que poderá ajudar ao país a voltar aos mercados de capital e cancelar, com esse dinheiro, gradualmente, a dívida com o FMI, o Banco Mundial e o BID. Na semana passada, o ministro de Economia, Roberto Lavagna, declarou ao jornal Financial Times que "a reestruturação da dívida está estreitamente vinculada ao refinanciamento da dívida multilateral. Sem isso, os números não fecham e não há maneira de fazer uma oferta séria". A fonte acredita que o FMI prefere dar um tempo maior para a Argentina regularizar seus pagamentos com os organismos do que aceitar uma perda do capital da dívida, como ocorrerá com os credores privados. A Argentina é terceiro maior devedor do FMI, o segundo do BID e o quarto do Banco Mundial.

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