Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

FMI conclui reunião com impasse nos EUA

Número de desempregados vai aumentar, se projeções para a economia estiverem certas, calcula a Organização Internacional do Trabalho

ROLF KUNTZ, ENVIADO ESPECIAL /WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h14

O mundo continuava refém da crise política americana quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu, ontem cedo, a parte mais importante de sua assembleia anual. O discurso do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, foi lido pelo presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, em nome de um governo parcialmente fechado.

"O presidente pediu ao Congresso a reabertura do governo e a elevação do limite legal da dívida", escreveu o secretário na mensagem aos colegas do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), órgão responsável pelas principais decisões de cada reunião.

"Antes do fechamento do governo todos os sinais apontavam para o fortalecimento da economia dos Estados Unidos", afirmou Lew, citando como exemplo a criação de 7,5 milhões de empregos privados a partir de 2010 - mais de 2 milhões só no último ano. "Se o Congresso agir com rapidez, essa tendência continuará", acrescentou.

Enquanto isso, líderes democratas e republicanos gastavam a manhã de um sábado menos chuvoso que os dias anteriores tentando achar o caminho de um acordo. A administração federal entrava no 12º dia sem orçamento, forçada a cortar um considerável volume de gastos, e o prazo para a ampliação do limite da dívida, por enquanto fixado em US$ 16,7 trilhões, se esgotava de forma assustadora. O teto deve ser alcançado no dia 17. A partir daí dificilmente será evitado um calote pelo menos parcial.

Com ou sem crise política americana, a arrumação da economia global ainda vai dar muito trabalho, como observou Jack Lew no começo de seu discurso, e quanto a isso houve um amplo acordo na reunião do FMI. Boas e mas notícias e previsões vieram misturadas nos pronunciamentos dos vários líderes, A economia europeia saiu de uma recessão de seis trimestres e deve continuar melhorando, segundo as projeções apresentadas durante a semana,

"Indicadores econômicos recentes, predominantemente positivos, sustentam a expectativa de uma recuperação modesta e gradual", disse o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. Falando como convidado do IMFC, ele reafirmou o compromisso de manter "pelo tempo necessário" uma política monetária voltada para a reativação da economia, com a preservação dos juros atuais, 0,5% ao ano, por um longo período.

Desemprego. O lado mais feio da transição continua sendo o desemprego. O número de desempregados deve chegar a 202 milhões em 2013, com aumento de 32 milhões nos últimos cinco anos, segundo o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Rider. Mais 2,5 milhões devem entrar nessa conta a cada ano, até 2018, se o crescimento da economia confirmar as projeções de hoje. Há 73 milhões de jovens entre os atuais desempregados. Além disso, 870 milhões de pessoas continuam ganhando menos que o necessário para escapar a pobreza. A linha divisória corresponde a US$ 2 diários por pessoa. Pelo menos uma tendência positiva, ressalvou o diretor da OIT, permaneceu durante a crise. Nos países emergentes e em desenvolvimento, o número de pessoas em pobreza extrema diminuiu durante a crise.

No fim da manhã, o impasse entre a Casa Branca e a oposição continuava. Mesmo sem esse fator de risco, os governos de todo o mundo terão de enfrentar em breve os efeitos da mudança da política monetária americana, com a redução gradual dos incentivos ao crescimento nos Estados Unidos. Juros e câmbio poderão ser novamente afetados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.