FMI considera bons resultados da política de metas de inflação

A política de fixação de metas de inflação usada nos últimos anos por vários países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, foi mais efetiva que outras estratégias e não reduziu o crescimento econômico, segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado hoje. O FMI divulgou hoje os capítulos analíticos de seu relatório semestral "Perspectivas Econômicas Mundiais", um deles dedicado ao estudo dos resultados iniciais desta estratégia, aplicada por 21 países, como o Brasil e o México. Tal política se caracteriza por atacar a inflação diretamente em vez de usar metas intermediárias, como controle da quantidade de dinheiro em circulação ou da taxa de câmbio. Opiniões Os defensores dessa estratégia alegam que ela permite dar rapidamente credibilidade à política monetária do país e estabelecer as expectativas de inflação futura, fatores muito importantes em nações com históricos de inflação alta. Já os críticos acreditam que a estabilização excessiva da inflação faz com que o crescimento seja reduzido de maneira desnecessária. Eles também alegam que só funciona em países que cumprem uma série de condições prévias, como a independência do banco central e políticas fiscais sensatas. Os especialistas do Fundo analisaram os resultados desta estratégia obtidos em mercados emergentes e concluíram que "fixação de metas de inflação funcionou bem". A queda da inflação nos países que aplicaram essa política foi cinco pontos percentuais maior em média do que a redução nas nações que adotaram outras estratégias monetárias, concluiu o relatório. Além disso, não sofreram "nenhum efeito adverso aparente sobre o crescimento", explicou hoje à imprensa Raghuram Rajan, economista-chefe do FMI. Curto tempo não permite conclusões definitivas No entanto, o documento advertiu que "o curto tempo desde sua implementação, uma média de cinco anos, significa que é muito cedo para tirar conclusões definitivas". O relatório também rebateu a noção de que o país deve cumprir uma série de requisitos prévios para ter sucesso com esta política. De acordo com os especialistas, dos 13 países em desenvolvimento que deram início a esta estratégia, onze não estavam nem no meio caminho de chegar às condições ideais para aplicá-la e faltavam, entre outras coisas, capacidade técnica para prever a inflação ou a solidez em seus mercados financeiros.

Agencia Estado,

14 Setembro 2005 | 17h30

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