Tim Sloan/AFP
Tim Sloan/AFP

FMI corta previsão para o PIB do Brasil e prevê crescimento de apenas 0,2% neste ano

Em 2017, a expansão do Brasil será a menor entre os principais países do mundo, e ainda vai ficar bem abaixo da média de crescimento da economia mundial

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2017 | 12h12

NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a rebaixar a projeção de crescimento para o Brasil e agora espera expansão de apenas 0,2% este ano, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira, 12. Na previsão anterior, feita em outubro, a expectativa era de que o Produto Interno Bruto (PIB) do País fosse avançar 0,5% em 2017.

Para 2018, o Fundo manteve a previsão de crescimento do PIB em 1,5%. Em 2017, a expansão do Brasil será a menor entre os principais países do mundo, e ainda vai ficar bem abaixo da média de crescimento da economia mundial (3,4%), dos emergentes (4,5%) e da América Latina (1,2%). Em 2018, o Brasil deve seguir com desempenho abaixo da média destes três grupos.

O FMI relatava que a atividade na economia brasileira no segundo semestre de 2016 acabou ficando mais fraca que o esperado. A previsão é que o PIB do país tenha retração de 3,5% no ano passado, também um dos piores desempenhos do mundo. As previsões do FMI para o Brasil estão mais baixas que dos analistas do mercado financeiro. O Relatório de Mercado Focus divulgado hoje veio com previsão de expansão de 0,5% este ano e de 2,20% em 2018.

O FMI vinha constantemente rebaixando as projeções para o PIB do Brasil a cada período desde 2012. No ano passado, com a chegada do presidente Michel Temer no Planalto, o Fundo chegou a melhorar o cenário para o Brasil, prevendo a volta do crescimento. Este movimento, porém, de acordo com o relatório, tem sido mais lento que o esperado e com isso as estimativas voltaram a ter cortes agora.

Por causa do desempenho fraco da economia brasileira esperado para este ano, o FMI também reduziu a previsão de crescimento para a América Latina. A região deve ser afetada ainda pelas políticas do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A estimativa do Fundo é que a América Latina cresça 1,2% este ano e 2,1% em 2018. Nos dois casos, houve corte em relação às projeções divulgadas em outubro, de 1,6% e 2,2%, respectivamente.

"Na América Latina, o corte da projeção de crescimento reflete, em grande medida, expectativas mais sutis da recuperação de curto prazo na Argentina e no Brasil, depois de resultados de crescimento mais fracos do que o esperado no segundo semestre de 2016", ressalta o documento, que destaca ainda a maior incerteza em relação ao México, por causa das políticas de Trump, e a contínua deterioração na Venezuela.

A previsão de crescimento para o México foi cortada para este ano, para 1,7%. Em outubro, a expectativa do FMI era de avanço de 2,3%. Em 2018, o corte foi de 2,6% para 2%.

O documento ressalta ainda que o Brasil, junto com a Rússia e a Índia, conseguiu cortar juros nos últimos meses, enquanto outros emergentes foram forçados a elevar as taxas, principalmente o México e a Turquia.

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