Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

FMI corta projeção de crescimento do Brasil e vê PIB encolher 1,5% este ano

Nova estimativa para o Brasil foi um dos maiores cortes nas projeções entre emergentes; em abril, o Fundo previa queda de 1%

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 10h59

Atualizado às 11h22

NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a reduzir a previsão para o crescimento do Brasil. Em 2015, a projeção é que o Produto Interno Bruto (PIB) do País tenha queda de 1,5%, pior do que a estimativa divulgada em abril, durante a reunião de Primavera do Fundo em Washington, quando se previa que o país fosse encolher 1% este ano. Foi um dos maiores cortes nas projeções entre os principais países emergentes, de acordo com um relatório do FMI divulgado nesta quinta-feira.

Além de a recessão ser maior que o esperado em 2015, o FMI espera que a recuperação do Brasil em 2016 seja mais fraca. A previsão é que o PIB avance 0,7%, abaixo da alta de 1% prevista no relatório divulgado em abril. Os economistas brasileiros, de acordo com o boletim Focus, que reúne as estimativas de mais de 100 instituições financeiras, preveem queda de 1,5% no PIB este ano e alta de 0,5% em 2016.

Desde 2012, o FMI vem cortando as projeções de crescimento para o Brasil a cada novo relatório que divulga. Em 2015, o desempenho do PIB brasileiro será pior que a média da economia mundial, que deve crescer 3,3%, dos países emergentes, com previsão de expansão de 4,2%, e da América Latina (+0,5%). Entre os maiores países emergentes, só a Rússia deve ter pior desempenho que o Brasil este ano, encolhendo 3,4%.

O documento divulgado nesta quinta-feira não traz maiores comentários sobre o Brasil, além das previsões para o PIB. Mas em relatórios anteriores, os técnicos do FMI apontavam a piora da confiança de empresários e consumidores como um dos fatores que explicam o fraco desempenho da atividade. Além disso, citavam também os reflexos do escândalo de corrupção na Petrobrás na atividade econômica, com a própria petroleira cortando gastos e as construtoras envolvidas nas investigações Lava Jato paralisando operações.

As perspectivas para a economia global também ficaram mais pessimistas. O FMI cortou a projeção para o crescimento da economia mundial em 2015 e agora espera expansão de 3,3%, ante estimativa anterior de 3,5%. Para 2016, a previsão foi mantida em alta de 3,8%.

O ajuste na projeção para 2015 reflete, de acordo com o relatório, o crescimento menor que o esperado nos Estados Unidos, sobretudo no primeiro trimestre, e a desaceleração da atividade em alguns países emergentes. Para o FMI, a piora da atividade na economista norte-americana no primeiro trimestre se deve a fatores temporários, como o inverno rigoroso e a greve dos funcionários dos portos na Costa Oeste, e a economia deve ter um desempenho melhor nos próximos trimestres.

O FMI prevê que os EUA devem crescer 2,5% este ano, abaixo dos 3,1% previstos em abril. Em 2016, a expansão deve ficar em 3%, ante 3,1% do relatório anterior. 

Sobre a América Latina, o FMI ressalta no documento divulgado hoje que a queda dos preços das commodities segue pesando negativamente no desempenho da região, que caminha para o quinto ano consecutivo de PIB fraco. Para 2015, a projeção é de expansão de 0,5%, ante 0,9% do relatório de abril. Em 2016, a região deve mostrar alguma recuperação e crescer 1,7%, também abaixo do estimado em abril (+2%).

O México foi um dos países emergentes, junto com o Brasil, que teve maior corte nas estimativas. Em abril, o FMI esperava que a economia mexicana fosse crescer 3% este ano, número agora reduzido para expansão de 2,4%. O corte, de acordo com o relatório, é reflexo do desempenho mais fraco que o esperado nos Estados Unidos, sobretudo no primeiro trimestre, por causa do inverno rigoroso, fortalecimento do dólar e greve dos funcionários dos portos na Costa Oeste. 

Riscos. Os riscos para a atividade econômica mundial continuam pendendo para o lado negativo, afirma o FMI. No curto prazo, os economistas falam do risco de aumento da volatilidade no mercado financeiro e mudanças bruscas nos preços dos ativos. O texto menciona tanto o impasse na Grécia nas negociações com credores como o tombo das bolsas na China, com queda de quase 30% desde 12 de junho, mas destaca que a falta de um acordo com os gregos ainda teve impacto limitado nos mercados internacionais.

Os preços baixos das commodities são outra fonte de preocupação, sobretudo para os emergentes e as economias mais pobres. A piora do crescimento potencial, tanto de países desenvolvidos como nos emergentes, permanece outra fonte de risco para o médio prazo, destaca o relatório. O texto menciona ainda que o dólar valorizado é um risco para se honrar os passivos na moeda norte-americana, sobretudo de empresas de emergentes que se endividaram muito na divisa.

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