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FMI cria linha de crédito para países com ''boas políticas''

Anúncio da nova linha foi comentado na mesma hora por Mantega e comemorado como ?vitória do Brasil?

WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2009 | 00h00

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reformulou o modo de fazer empréstimos a países-membros, por causa do agravamento da crise financeira global. A nova linha de crédito (flexible credit line, ou linha de crédito flexível) vai substituir a aprovada em outubro (short-term liquidity facility, ou linha de liquidez de curto prazo) destinada a países com boas políticas e para aumentar os recursos disponíveis a esses países, sem restrições."Essas reformas representam uma mudança significativa na maneira como o Fundo pode ajudar seus países-membros, o que é especialmente necessário neste contexto de crise global", disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. "Mais flexibilidade em nossos empréstimos, junto a condições eficientes, vai nos ajudar a responder às várias necessidades dos países-membros. Isso vai ajudá-los a resistir à crise e a retomar um crescimento sustentável."Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o FMI vai precisar de um reforço de caixa de US$ 500 bilhões a US$ 1 trilhão para atender a demanda da nova linha de crédito. Mantega cobrou também um aporte adicional de mais US$ 100 bilhões dos países desenvolvidos para a criação de outra linha de crédito para financiar o comércio mundial. Segundo Mantega, o FMI possui US$ 250 bilhões de capital. O Japão se comprometeu a fazer um aporte de mais US$ 100 bilhões. Mantega adiantou que o governo brasileiro vai defender, na próxima reunião do países do G-20 (as maiores economias do mundo), um reforço de caixa ao FMI pelos países que hoje estão recebendo mais fluxos de capitais. O Brasil, disse ele, não vai precisar da ajuda do Fundo. "O Brasil conseguiu acomodar suas necessidades de crédito. É mais importante que se dê crédito àqueles que importam produtos do Brasil." Disposto a faturar para o Brasil o crédito pela criação da nova linha, Mantega montou um esquema com a sua assessoria para anunciar simultaneamente ao FMI o lançamento da linha de crédito flexível. Na mesma hora em que o FMI divulgava em Washington as condições da linha, o ministro comentava em Brasília a decisão: "É um pleito nosso. É uma vitória nossa do Brasil". Um assessor do Ministério da Fazenda ficou conectado com os Estados Unidos para assegurar que a entrevista do ministro ocorresse no mesma hora do anúncio oficial. Segundo Mantega, a nova linha, para países com fundamentos fortes e bom histórico na implementação de políticas econômicas, é um grande avanço em relações às condições de empréstimo anteriores do FMI. "A vantagem dessa linha é que ela pode ser liberada muito mais rapidamente. Não tem condicionalidade. Não tem aquela coisa desagradável de ter que fazer as cartas de intenções que o Brasil fazia no passado. É muito mais simplificada." Ele ressaltou ainda que as taxas de juros são reduzidas e variam de 1,5% a 3% ao ano, "com condições bastante vantajosas". ADRIANA FERNANDES, COM REUTERSFRASESDominique Strauss-KahnDiretor-gerente do FMI"Essas reformas representam uma mudança significativa na maneira como o Fundo pode ajudar seus países-membros, o que é especialmente necessário neste contexto de crise global"Guido MantegaMinistro da Fazenda"A vantagem dessa linha é que ela pode ser liberada muito mais rapidamente"

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