FMI cria linha de curto prazo para emergentes

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem um instrumento emergencial de liquidez de curto prazo para os países emergentes, para ajudá-los a atravessar a crise financeira mundial. O Brasil é um dos países que pode, se quiser, recorrer aos financiamentos."O FMI responderá à crise com todo o financiamento necessário", disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em comunicado."Estamos preparados para usar nossos próprios recursos e trabalhar com outros para gerar recursos adicionais, visando assegurar que os países tenham o dinheiro que precisam para restaurar a confiança e manter a estabilidade."A linha de liquidez de curto prazo (SLF, na sigla em inglês) tem o objetivo de estabelecer um rápido canal de desembolso para países com fortes políticas econômicas que estejam enfrentando problemas temporários de liquidez nos mercados de capital globais. A nota do FMI sobre sua nova linha de liquidez de curto prazo revela que os países elegíveis poderão desembolsar até 500% do valor de suas cotas.BRASILO Brasil saúda a nova linha de crédito para ajudar mercados emergentes, mas não vê necessidades de acessar os recursos neste momento, afirmou ontem o representante do País no FMI."O Brasil estava defendendo um novo instrumento de liquidez, mas não porque precisa", afirmou Paulo Nogueira Batista, que representa o Brasil e outras oito nações latino-americanas e caribenhas no FMI.Perguntado se o Brasil irá buscar os recursos, ele afirmou: "Eu não sei, eu acho que não. Não, o Brasil tem uma posição forte e então, eu não acho que precisará disso", disse o representante.O pacote do FMI estará disponível para um grupo pré-aprovado de países com economias bem encaminhadas, que poderão obter até cinco vezes o volume de sua cota no FMI.O plano foi lançado por diretores da América Latina na diretoria do FMI, que têm pressionado por novos programas de empréstimos específicos para as necessidades das economias emergentes.Batista afirmou que o pacote não é exatamente o que o Brasil estava esperando. "A proposta brasileira era que a linha não tivesse um limite predeterminado. Então, a quantidade disponível para o país teria que ser definida caso a caso segundo as necessidades", afirmou.O Brasil também defendia uma linha de empréstimos de longo prazo. "Nós queríamos uma linha de 1 ano a um ano e meio", acrescentou Batista.O País acreditava que poderia ter melhores condições de empréstimo, já que provou ser bom pagador ao quitar sua dívida com o Fundo Monetário Internacional em 2005, dois anos antes da data limite.DESORDEMA explicação do Fundo para a criação da nova linha é o caos financeiro internacional, segundo o comunicado assinado por Strauss-Kahn."A desordem em andamento nos mercados globais de capital tem levado a dificuldades de liquidez significativas para alguns países dos mercados emergentes, mesmo embora aqueles países tenham mantido agendas macroeconômicas saudáveis e tenham histórias sustentadas de acesso ao mercado", disse o diretor-gerente do fundo, no comunicado.

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