FMI critica BCs dos EUA, Japão e Europa

Os Bancos Centrais das três maiores economias do mundo são culpados em enviar sinais ambíguos sobre as metas de inflação, afirmou o economista-chefe do FMI, Kenneth Rogoff. O Federal Reserve (Fed), o Banco do Japão (BOJ) e o Banco Central Europeu (BCE) têm falhado em apresentar diretrizes claras de inflação para os investidores, disse Rogoff em Buenos Aires, em discurso para uma conferência organizada pelo Banco Central da Argentina. "Se você tentar comunicar o que você está fazendo, eu penso que pode-se ir longe para estabilizar os mercados", disse RogoffAlém de discutir as metas de inflação, o seminário debateu como evitar a deflação, que alguns economistas vêem como a maior ameaça à economia mundial. Como as metas de inflação eram vistas como uma abordagem firme para combater a alta sustentada dos preços, Rogoff e outros participantes da conferência se concentraram sobre como fazer o oposto: promover o aumento dos preços quando o risco de declínio prolongado existir.O eonomista-chefe do FMI disse a espiral deflacionária do Japão poderia ter sido evitada se o BOJ tivesse usado um regime de meta inflacionária para sinalizar ao mercado que o Banco Central "gostaria de ter uma inflação constante, que tem os meios para garantí-la e que os usaria". Para ele, "essa estratégia de comunicação poderia fazer o Japão ir longe".Embora Rogoff tenha dito que os EUA não correm risco de entrar num período longo de deflação, ele fez uma reflexão sobre a hesitação do Fed em usar alguma forma de meta de inflação. "Não é óbvio para mim porque eles resistem a isso", disse Rogoff, sugerindo que talvez o Fed tema em entrar no "terreno escorregadio" que o Banco da Inglaterra caiu, onde acredita-se que as metas de inflação rígidas prejudicaram a economia.Segundo ele, a ausência de uma meta de inflação clara do BCE está criando problemas para a Alemanha, onde o declínio dos preços por dois meses consecutivos agora sugere um "alto risco" de deflação se concretizando. Rogoff disse que os comentários fazem parte de um estudo a ser divulgado pelo FMI, chamado "Deflação: Causas, Riscos e Resposta de Política".

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