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FMI critica índices de inflação e do PIB da Argentina

Fundo manifesta preocupação com estatísticas e estende até 17 de dezembro prazo para que o governo melhore o sistema de medição

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h06

O Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou ontem o governo da presidente Cristina Kirchner pela manipulação dos índices de inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) calculados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

O organismo internacional, em linguagem diplomática, expressou "preocupação" pela falta de progresso na adequação das estatísticas argentinas. O Fundo também pediu que a Argentina aplique as medidas necessárias "sem mais demora".

No ano passado, o governo da Argentina e o FMI concordaram em definir um novo sistema de estatísticas para o Indec. Mas, apesar das promessas, o governo Kirchner nunca avançou com os trabalhos. Para complicar, em agosto terminou o prazo de 180 dias concedido pelo Fundo para que o governo argentino aperfeiçoasse seu método de medição de inflação. O índice oficial geralmente é metade ou um terço do cálculo elaborado pelos economistas independentes.

Ontem o FMI deu um prazo adicional - até 17 de dezembro - para que o governo melhore o sistema de medição da inflação. Caso isso não ocorra, a Argentina poderia sofrer sanções do Fundo. Com isso, a Argentina poderia transformar-se no primeiro país na história do organismo financeiro a sofrer punições por não fornecer dados precisos sobre a elaboração do índice de inflação. A Argentina é o único país do G-20 que não permite que o FMI faça revisões anuais da economia nacional.

Há poucos dias o FMI havia dado uma prévia do alerta de ontem, ao ressaltar a divergência entre os cálculos do Indec, que apontam inflação de 10,5% em 2010, enquanto as estimativas dos organismos oficiais das províncias argentinas exibiam média superior a 20%. Os economistas independentes, nesse mesmo ano, calcularam 27%. A divergência persiste neste ano, já que o cálculo do governo indica que a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 9,9%, enquanto a média das principais consultorias econômicas é de 23,24%. O Fundo também destacou a falta de independência "política e financeira" do BC argentino.

A relação entre a Argentina e o FMI é tensa desde 2003, ano da posse de Néstor Kirchner na presidência. Ao longo de seu governo, Kirchner fez críticas ao Fundo, acusando-o de ser o "principal responsável" pela crise argentina de 2001-2002.

Com a posse de Cristina Kirchner em 2007, o governo argentino tentou uma reaproximação, embora sem aceitar "a receita do Fundo", como a denomina a presidente. Mas em março deste ano o FMI fechou seus escritórios no país.

Rebaixada. A agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating da Argentina de "estável" para "negativo". O motivo da queda foram as decisões polêmicas do governo Kirchner, entre elas a expropriação da empresa petrolífera YPFl. A Moody's considerou que o país está sofrendo uma "deterioração persistente dos preços das matérias-primas e uma queda constante das reservas internacionais".

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