FMI critica subsídios agrícolas

O diretor-gerente do FMI, Horst Kohler, qualificou como inconcebíveis os altos subsídios à agricultura praticados por União Européia, Estados Unidos e Japão. Em pronunciamento feito em Washington, na noite de terça-feira, Kohler tocou em um tema muito importante para o Brasil.Ele criticou, por exemplo, a União Européia, que gasta mais de US$ 2 bilhões ao ano apenas para comprar o excesso de sua produção doméstica de açúcar, sendo o restante "lançado" no mercado mundial.O Brasil, maior produtor mundial da commodity e um dos países mais prejudicados pelo esquema, estuda abrir um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios às exportações européias de açúcar. Não só esses subsídios tomam mercado do Brasil, como também empurram para baixo o preço do produto.O Brasil também questiona na OMC os subsídios à soja praticados pelos Estados Unidos. Kohler ressaltou que, no caso dos Estados Unidos, os pagamentos de suporte de preços para o algodão consomem mais de US$ 2 bilhões ao ano, valor superior à produção anual de algodão de toda a África abaixo do deserto do Saara. Essa produção subsidiada norte-americana toma 30% das exportações mundiais de algodão, "devastando o setor em países onde o produto é crucial, como Benin, Chad, Mali e Togo. Ele destacou que os Estados Unidos são líderes na promoção do livre comércio e da democracia, mas se pudessem exercer essa mesma liderança para ajudar na redução "desses subsídios insustentáveis", seria importante não apenas para os países mais pobres e vulneráveis, mas também para o próprio povo norte-americano.Segundo Kohler, os subsídios do Japão à agricultura são os maiores entre os países mais avançados, fazendo com que os preços internos do arroz, por exemplo, fiquem oito vezes acima aos do mercado mundial. Isso significa, explicou, que os países em desenvolvimento, sobretudo os asiáticos, perdem grandes oportunidades comerciais.O diretor-gerente do FMI admitiu ser irracional que Estados Unidos, Japão e União Européia gastem centenas de bilhões de dólares em subsídios agrícolas para beneficiar um pequeno segmento de suas populações, em detrimento dos setores agrícolas dos países mais pobres, para os quais o setor é fundamental para o desenvolvimento. "Isso é irracional, mas é exatamente o que acontece agora", afirmou.Para ele, o verdadeiro teste para a credibilidade dos países mais desenvolvidos no combate à pobreza está na disposição de abrir os mercados e eliminar os subsídios que distorcem o comércio em áreas em que os países em desenvolvimento têm vantagem comparativa, como em agricultura, agronegócio, têxteis e manufaturados leves.

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