FMI dá um ano para Argentina pagar US$ 2,8 bi

O FMI concordou em dar à Argentina mais um ano para pagar um empréstimo de US$ 2,8 bilhões que venceria na próxima semana. A extensão do prazo, concedida a pedido do governo argentino, era esperada pelos mercados financeiros. As regras do FMI permitem que o fundo prolongue o prazo de dívidas por até um ano, caso o pagamento venha a causar dificuldades indevidas para o devedor, e se este está trabalhando para conseguir um novo acordo com a instituição. Mergulhada na pior crise econômica em um século, a Argentina perdeu acesso aos fundos do FMI no final de 2001, depois que seu governo não conseguiu atingir as metas orçamentárias negociadas com o Fundo. O FMI afirmou que não retomará os empréstimos para o país até que o governo promova várias reformas econômicas. No entanto, o Fundo permitiu que a Argentina adiasse pagamentos de dívidas três vezes, neste ano. O FMI disse que aprovou o último adiamento de prazo a fim de amenizar as "restrições de financiamento de curto prazo" na Argentina. Horst Köhler, diretor-gerente do FMI, disse que os diretores do Fundo reconhecem as dificuldades econômicas da Argentina e preocuparam-se com o fato "de que está levando muito mais tempo do que previamente antecipado para formular um pacote abrangente de políticas para enfrentar essas dificuldades de maneira sustentada". A economia da Argentina encolheu 16,3% nos primeiros três meses do ano. O mais graduado negociador da dívida do país deve viajar para Washington na próxima semana, para reunir-se com autoridades do FMI. Funcionários do governo disseram esperar receber na próxima semana um esboço de carta de intenções elaborado pelo FMI, explicando os termos de um possível pacote de ajuda do Fundo.Em declaração divulgada hoje, Köhler elogiou o governo argentino "por manter o controle sobre os gastos públicos em circunstâncias muito difíceis". Ele afirmou que os diretores do FMI conclamaram o governo a consolidar esse progresso "assegurando o consenso político doméstico para as políticas que continuam a ser importantes para um programa de apoio do FMI". Essas políticas incluem uma melhor política monetária, uma estratégia de reestruturação dos bancos e a implementação de acordos com governos provinciais, a fim de cortar os gastos. Köhler também disse que o "respeito às leis e às obrigações contratuais" seriam pré-condições para qualquer programa de ajuda do FMI."Os diretores estavam preocupados com várias iniciativas políticas recentes, referentes ao sistema bancário e aos direitos dos credores, que pareceram reduzir a coerência das novas políticas que estão surgindo", disse Köhler. Os diretores também ficaram preocupados, afirmou Köhler, com uma recente decisão do Supremo Tribunal argentino que "pareceu restabelecer" alguns gastos que haviam sido cortados no ano passado.

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