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FMI dará mais crédito a emergentes

Novo instrumento será dirigido a países com situação econômica sólida em momentos de crises internacionais

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2024 | 00h00

O Fundo Monetário Internacional (FMI) deve criar uma linha de crédito automática para socorrer países emergentes em momentos de crise financeira. O anúncio foi feito ontem pelo diretor-gerente do organismo, Rodrigo de Rato, em seu último dia de visita ao Brasil.Segundo ele, o novo instrumento de prevenção de crises será dirigido a países emergentes com situação econômica sólida e poderá chegar a um valor equivalente a até 500% do tamanho da cota do país no FMI.''''Será um acesso imediato e alto'''', explicou o dirigente, que discutiu a reforma dos estatutos do Fundo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.Rato disse que a ajuda servirá para evitar que países emergentes em boa situação econômica sejam contaminados por crises nos mercados. Ele destacou, porém, que uma posição só será tomada na reunião do FMI que ocorrerá em outubro, em Washington.Outros dois pontos também estão na pauta de reformulação do Fundo: a mudança na representação dos países e um modelo de receitas próprias para o organismo, que hoje é mantido pelos países sócios. ''''Estamos discutindo a possibilidade de dar mais voz aos países emergentes'''', disse Rato, ecoando uma antiga reivindicação do governo brasuileiro.Ao ser questionado sobre a indicação da Rússia de Josef Tosovsky (ler ao lado) para sucedê-lo e o convite do ministro Mantega para que o candidato russo visite o Brasil, Rato respondeu: ''''Sou a pessoa menos indicada para dar opinião nessa questão''''. Mantega tem defendido o fim do acordo informal que existe para escolha dos dirigentes do Banco Mundial (Bird) e do FMI, pelo qual os Estados Unidos indicam o dirigente para o Bird e os países da Europa, o diretor-geral do Fundo.CRISEAo comentar a crise financeira internacional, Rato defendeu maior transparência das instituições financeiras para resgatar a credibilidade dos mercados. Segundo ele, é importante neste momento que as autoridades financeiras esclareçam as modalidades de crédito que têm a oferecer. ''''A desconfiança sobre novos produtos requer esclarecimento das instituições financeiras o mais rápido possível'''', disse. ''''É preciso recuperar o nível de confiança e mudar as expectativas.''''Rato classificou como positiva a atitude das autoridades monetárias dos EUA e Europa, que garantiram a liquidez do mercado. Ele avaliou que o impacto da turbulência internacional será diferenciado em cada país. Na sua avaliação, a crise surgiu num contexto internacional favorável, com uma expectativa de crescimento mundial de 5%. ''''Com situações favoráveis, as turbulências não terão impacto tão negativo como poderiam ter.''''O diretor afirmou que o FMI dispõe de recursos para ajudar os países, se isso for necessário neste momento de turbulência internacional. Rato disse que o nível de liquidez da instituição é muito alto e que o fundo pode liberar ainda mais recursos mediante acordo com os bancos centrais dos países. Ele fez, no entanto, a ressalva de que não antevê qualquer crise que venha a aumentar o risco para os países.Na noite de quarta-feira, na abertura do 3º Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro,em Campos de Jordão, Rato não quis fazer previsões sobre a probabilidade de corte da taxa básica de juros americana neste momento para suavizar o impacto da crise.Mas observou que o próprio Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) ressaltou que os riscos de baixa para o crescimento americano aumentaram - no comunicado divulgado paralelamente ao anúncio de corte na taxa de redesconto feito na sexta-feira - e que, portanto, é provável que o Fed espere para ver como a economia reage.O diretor do FMI disse a projeção de crescimento da economia dos EUA para este ano é de 2%. FRASESRodrigo de RatoDiretor-gerente do FMI''''Estamos discutindo a possibilidade de dar mais voz aos países emergentes''''''''É preciso recuperar o nível de confiança e mudar expectativas''''''''Com estas situações favoráveis (contexto internacional com expectativa de crescimento mundial de 5%), as turbulências não terão impacto tão negativo como poderiam ter''''COLABORARAM CYNTHIA DECLOEDT E CÉLIA FROUFE DE CAMPOS DE JORDÃO

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