FMI deve ratificar em Cingapura a sua primeira reforma de cotas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prepara a sua Assembléia anual com o Banco Mundial, este mês, em Cingapura, na qual dará o primeiro passo de uma reforma do sistema de cotas de poder, que favorecerá inicialmente China, Coréia do Sul, Turquia e México.O diretor-gerente da entidade, Rodrigo de Rato, em entrevista coletiva pela internet, afirmou que na reunião de Cingapura os países-membros vão discutir "qual deve ser o papel do FMI para ajudar as economias emergentes".O acordo para iniciar a reforma foi obtido na reunião da junta diretora do FMI, quinta-feira à tarde. A mudança será a primeira de um pacote previsto para os próximos dois anos para reformar o sistema de cotas. O objetivo é dar mais peso às economias emergentes e aos países pobres."Todos os membros reconhecem que as cotas atuais não correspondem à realidade da economia mundial", disse Rato.Os primeiros beneficiados serão China, Coréia do Sul, Turquia e México. Na opinião de Rato, a representação dos quatro países está "muito defasada" em relação ao peso de suas economias.O diretor-gerente disse que a nova fórmula de cotas deverá se basear no volume da economia de cada país e na sua abertura. "Vamos permitir que os países de baixa renda tenham mais voz", prometeu.Ele acrescentou que "ainda falta definir os parâmetros" exatos, embora haja um consenso de que "a fórmula atual é insatisfatória".Atualmente, o FMI é dominado por Estados Unidos, Europa e Japão.Rato, porém, avisou que a reunião de Cingapura, nos dias 19 e 20 de setembro, não deverá aprovar uma reforma geral do sistema de cotas. Ele espera que isso aconteça na reunião anual de 2007 ou 2008.Apesar de os Estados Unidos serem um dos membros mais poderosos do FMI pela fórmula atual, Rato ressaltou que os representantes americanos "expressaram seu apoio" à reforma.Os EUA têm poder de veto, com uma cota de 17,4%, seguidos pelo Japão, com 6,2%, Alemanha, França e Grã-Bretanha.Rato também se referiu às economias da Ásia em sua entrevista coletiva. Ele disse que apesar do crescimento, especialmente de países como China e Índia, e da expansão do Japão, o continente é "especialmente vulnerável a problemas no crescimento dos EUA e aos preços do petróleo". Mesmo satisfeito com o estado da economia global e as suas perspectivas, o economista avisou que "há mais nuvens no horizonte do que há um ano". Os riscos de inflação e do contínuo aumento do barril de petróleo são as suas maiores preocupações."Outra má notícia foi o fracasso das negociações para a liberalização" do comércio, disse, pedindo aos países da Organização Mundial de Comércio "um grande esforço".Alguns críticos exigem que a China valorize a sua moeda antes de aumentar sua cota no FMI. Rato ressaltou que "é do interesse da China deixar que as forças do mercado determinem livremente o valor de sua moeda".Ele pediu a Pequim que "aplique com mais ênfase o regime de câmbio adotado no ano passado". O iuane subiu 2,1% em relação ao dólar em julho de 2005.

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