FMI deve revisar para cima previsão para 2010

Para vice-diretor do Fundo, redução da intensidade do declínio econômico favorece revisão; projeções anteriores indicam retração de 1,3% neste ano

REUTERS, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

O Fundo Monetário Internacional (FMI) deverá revisar para cima sua previsão para a economia global em 2010, já que há sinais de redução na intensidade do declínio econômico. A afirmação foi feita ontem pelo vice-diretor-gerente do FMI, John Lipsky, em conferência realizada por uma associação comercial na Turquia.Lipsky alertou, no entanto, que ainda é cedo para declarar vitória, porque as condições financeiras estão longe do normal e o mundo ainda está em recessão. "Embora os últimos dados apontem para um arrefecimento da contração global, ainda há muita incerteza sobre o momento e o ritmo da recuperação", destacou Lipsky, em comentários preparados.No entanto, Lipsky disse que estão surgindo sinais de que a taxa de declínio da produção está desacelerando, as condições financeiras melhoraram, a confiança está se recuperando gradualmente e os indicadores de produção futura e de demanda estão sólidos. "Nesse cenário, eu espero que nas próximas semanas nós revisemos nossas projeções de crescimento levemente para cima, principalmente em relação a 2010."O FMI vai apresentar suas novas previsões econômicas em 7 de julho. A projeção anterior, feita em abril, apontava contração mundial de 1,3% neste ano, que passa pela maior recessão desde a 2ª Guerra, e crescimento de 1,9% no próximo ano.RECUPERAÇÃO FRACALipsky acrescentou que a recuperação em 2010 será fraca, com a atividade nos países desenvolvidos recuperando-se apenas gradualmente, pressionadas pela desalavancagem financeira, pelo crédito restrito e pelo fraco crescimento da receita das famílias.Enquanto isso, os mercados emergentes não conseguirão retornar ao crescimento potencial enquanto os desenvolvidos estiverem com desempenho fraco, disse ele. "Como resultado disso, os déficits de produção e emprego continuarão aumentando ao longo de 2010." Ele enfatizou que as políticas precisam focar uma recuperação sustentável, começando com a retomada do setor financeiro.Até então, os resultados das ações para recuperar os bancos têm sido lentos e irregulares de maneira geral, com pouco sendo feito para resolver o problema dos ativos podres nos balanços dessas instituições. Além disso, a política fiscal em economias desenvolvidas e em muitos mercados emergentes deve permanecer expansionista pelo menos até 2010 e novos estímulos podem se tornar necessários, afirmou Lipsky. Enquanto isso, a política monetária deve continuar incentivadora até se consolidar uma recuperação sustentável, acrescentou.Mas Lipsky disse ainda que o aumento dos déficits fiscais em muitos países industrializados é uma preocupação crescente, especialmente com as expectativas de aumento dos gastos dos governos por causa do envelhecimento da população e de mais pessoas buscando serviços de saúde. Além disso, ainda que o objetivo das políticas seja o fim da recessão, as autoridades devem começar a planejar estratégias de saída, especialmente para as fortes intervenções governamentais no setor financeiro, afirmou.

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