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FMI deveria ajudar Brasil a limitar capital externo, analisa FT

Em artigo no jornal britânico, especialistas dizem que fundo deveria considerar como uma medida antibolhas

Daniela Milanese, da Agência Estado,

26 de outubro de 2009 | 16h26

O Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria ajudar o Brasil a lidar com a entrada de capital externo, em vez de adotar postura negativa sobre a taxação criada recentemente pelo governo. A avaliação é dos acadêmicos Arvind Subramanian e John Williamson, do Peterson Institute, expressa em artigo desta segunda-feira, 26, no jornal britânico Financial Times (FT). Para eles, a taxação de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a entrada de recursos externos no País é "muito importante, substancial e simbólica".

 

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"O valor simbólico reside em sinalizar o fim de uma era na qual os mercados emergentes estavam enamorados pelo financiamento estrangeiro, expressando compromisso para tomar medidas a fim de moderar o fluxo de capital", escrevem, numa mostra de que a decisão do governo brasileiro continua repercutindo entre os especialistas internacionais.

 

Para os acadêmicos, a taxação aumenta o arsenal que pode ser usado para reduzir o superaquecimento das economias e ilustra o que os políticos podem fazer para deter bolhas de ativos incipientes. Eles criticam a falta de apoio do FMI para a medida brasileira. "Ao invés de jogar água fria, o fundo deveria ver isso como uma oportunidade intelectual", avaliam.

 

Conforme os especialistas, está correto o FMI continuar estimulando os países a se abrirem para o capital externo como um objetivo estrutural e de longo prazo. No entanto, deveria reconhecer que o aumento da entrada de recursos representa desafios macroeconômicos sérios, que requerem uma resposta diferente. "Para os mercados emergentes, o arsenal de políticas contra futuras crises deve trazer medidas para restringir o crescimento do crédito e a alavancagem de forma anticíclica."

 

Os acadêmicos avaliam que, se o FMI reconhecesse que limitar a entrada de recursos pode ser uma política pragmática, poderia eliminar o estigma pouco amigável do mercado sobre esse tipo de medida. Eles avaliam que o mundo precisa de um viés menos doutrinador para o fluxo de capital externo. "Ajudar o Brasil em sua decisão da semana passada, ao invés de emitir uma resposta negativa, poderia sinalizar que o FMI está exercendo um papel construtivo para facilitar essa mudança."

 

Otimismo racional

 

Além desse artigo, o Financial Times traz hoje reportagem apontando que há um "otimismo racional" sobre a economia brasileira. Eventos que teoricamente poderiam assustar os investidores - como a possível saída de Henrique Meirelles do Banco Central e o IOF sobre o capital externo - não são capazes de abalar o humor. O fato de sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 ampliou o sentimento de que o País entrou no cenário mundial.

 

Ainda assim, os brasileiros não estão sendo arrebatados pela situação, segundo o FT. Um dos motivos é a presença do Estado na economia, que continua sendo sentida, como mostram as pressões do governo sobre a Vale. Além disso, há outras preocupações a serem resolvidas antes que o País cumpra o seu potencial.

 

Em entrevista ao jornal britânico, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que há quatro desafios: infraestrutura, educação, meio ambiente e violência. "Otimismo racional, ao invés de exuberância irracional, é o que se encontra entre os líderes de bancos e empresas em São Paulo", afirma o FT.

 

Conforme a publicação, também há incerteza sobre a transição para o próximo governo. Dilma Rousseff, candidata escolhida de Lula, é uma "dura tecnocrata". José Serra, o provável candidato de oposição, tem uma "natureza similar". "Ambos sofrem de falta de carisma."

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