FMI discute ajuste de gastos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) discutirá neste fim de semana, em sua tradicional reunião de primavera, em Washington, os ajustes de gastos que adotará depois que o Brasil e a Argentina pagaram, antecipadamente, suas dívidas com o organismo multilateral de créditos. Mas a expectativa, até agora, é de que a decisão sobre os cortes e qualquer outra medida sejam anunciadas apenas no fim do ano, durante a Assembléia Anual do FMI, que será realizada em Cingapura. No entendimento do Fundo, essas não são medidas que podem ser tomadas da noite para o dia, conforme anteciparam à BBC Brasil. As últimas opções de ajuste de gastos do organismo estão num documento do FMI, do dia 17 de março, e foram apresentadas numa reunião, na capital americana, sede do organismo, no último dia 3 de abril. Dívidas Mas esse é um assunto que passou a ser discutido com freqüência, e até publicamente, pelo FMI a partir de janeiro, depois que Brasil e Argentina, dois dos maiores devedores com o organismo, decidiram pagar totalmente suas dívidas. O Brasil pagou cerca de US$ 30 bilhões e a Argentina, US$ 9,8 bilhões. No mês passado, o ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori, anunciou, em Montevidéu, que o país também estava adiantando o pagamento, de uma só vez, de todos os vencimentos deste ano, no valor de U$ 630 milhões. Essas iniciativas, segundo analistas, reduzem a cobrança de juros por parte do FMI, limitando o seu caixa. Assunto que também será abordado na reunião de primavera, de sábado e domingo que vem, pelo Comitê Monetário e Financeiro Internacional. Neste Comitê, 24 países, entre eles o Brasil, deliberam em nome dos demais integrantes do organismo. Essa reunião conta, normalmente, com a presença de ministros da Fazenda e presidentes dos Bancos Centrais de cada país e a expectativa é de que o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, participe do encontro. Nestes últimos quatro meses, as discussões sobre a redução de gastos do FMI estão sendo debatidas por diferentes setores do organismo, e acompanhadas, de perto, pelo diretor-gerente do Fundo, o espanhol Rodrigo Rato. Entre as medidas que poderiam ser adotadas para salvar a receita do organismo estão, além dos cortes de gastos, o uso do próprio capital para operar no mercado financeiro, como fazem, segundo fontes destes organismos, o Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Outra opção analisada seria a de se passar a cobrar pela assistência técnica aos países que recebem crédito do organismo. "O futuro chegou antes do esperado", afirma-se no FMI. Uma clara referência aos novos cálculos e medidas que serão necessárias para se equilibrar as contas no período 2006-2009. "A queda da receita deixa dúvidas importantes em relação à sustentabilidade das finanças do Fundo, no longo prazo", afirma-se naquele documento. "O atual modelo de financiamento já não é mais sustentável". O documento, divulgado pela imprensa argentina e chamado de "Informe do Diretor-Geral sobre a Implementação da Estratégia de Médio e Longo Prazo do Fundo" tem 51 pontos. No texto, admite-se que nos próximos quatro anos o desequilíbrio das contas poderá ser crescente, com um déficit de aproximadamente US$ 429 milhões neste período. Estima-se que a queda anual de receita do FMI será de US$ 150 milhões e US$ 250 milhões, equivalente a uma terça parte do nível atual de gastos.

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