FMI diz estar mantendo "bom diálogo" com governo argentino

O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que está tendo um "bom diálogo" com a Argentina e que entende a necessidade do país de ter um "espaço para respirar" para planejar uma nova estratégia econômica.O diretor de assuntos externos do FMI, Thomas Dawson, disse, durante entrevista à imprensa, que a comunidade financeira internacional está pronta para dar apoio ao governo do presidente argentino, Eduardo Duhalde, quando este tiver traçado um amplo plano para enfrentar o problema da elevada dívida pública e da recessão, que entra em seu quarto ano."Claramente, temos um bom diálogo em andamento com as autoridades neste ponto, e elas têm expressado um forte interesse em conversar conosco e com outras instituições", disse Dawson.Acrescentou que "obviamente levará um tempo para as autoridades desenvolverem um amplo programa (...), e proporcionaremos qualquer tipo de assistência técnica que pudermos e, então, veremos o que fazer a partir disso".Nesta quarta-feira, o FMI concedeu a Argentina a prorrogação por 12 meses do prazo de pagamento de US$ 936 milhões devidos ao Fundo, que venciam nesta quinta. O FMI também tem aconselhado a administração de Duhalde a assegurar que seu novo regime cambial duplo é apenas uma medida temporária.Nesta semana, Duhalde sugeriu que vai satisfazer essa demanda do FMI e unificar as taxas cambiais em 5 meses. "A orientação de tentar liberar os mercados é certamente a direção certa", disse Dawson, referindo-se tanto ao mercado de câmbio como ao bancário.O porta-voz do FMI afirmou que a pressão sobre as reservas provavelmente irá diminuir, se a Argentina adotar uma taxa cambial de livre flutuação da moeda."Os níveis brutos das reservas da Argentina ainda são bastante substanciais, mas, claro, as reservas têm um número de usos potencialmente diferentes e, portanto, quanto das reservas será usado depende de qual será a estratégia para a taxa de câmbio", disse.Quando perguntado sobre quais as lições que o FMI tirou da crise da Argentina, Dawson respondeu que a lição mais imediata parece ser que as nações devem escolher as políticas certas, apropriadas ao seu regime cambial e devem assegurar a existência de um forte suporte político quando realizarem reformas difíceis.Acrescentou que o FMI conduzirá uma revisão interna de suas transações com a Argentina para avaliar as lições de forma mais completa.

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