FMI diz quais são as condições para apoiar a Argentina

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai impor condições para continuar a socorrer financeiramente a Argentina. Segundo a vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, o país deverá apresentar um plano econômico "coerente e sustentável" e também precisa negociar acordos com seus credores, antes de pedir nova ajuda ao Fundo.Durante uma conferência na capital chilena, a executiva e máxima representante dos Estados Unidos no FMI afirmou que o governo do presidente Eduardo Duhalde arrisca-se a provocar hiperinflação se começar a emitir moeda. Segundo ela, isso neutralizaria outras medidas adotadas para tirar o país da crise financeira.Para Anne Krueger, o FMI não decidirá antes de um mês pela continuidade da ajuda financeira ao país, e nesse prazo vai esperar informações sobre o plano econômico que está sendo elaborado pelo governo argentino. "Eu ficaria muito surpresa se tivesse algo antes", disse a economista, que visitou por dois dias a capital chilena, a convite do banco central daquele país.Nesta sexta-feira, o porta-voz da presidência argentina, Eduardo Amadeo, informou que o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, e o chanceler Carlos Ruckauf viajarão no fim do mês para os Estados Unidos, para informar ao governo dos EUA e ao FMI os detalhes do plano econômico.O Fundo mantém paralisado desde 5 de dezembro um acordo com a Argentina que prevê empréstimo no total de US$ 22 bilhões, dos quais restam somente US$ 9 bilhões."Já apresentamos às autoridades argentinas os requisitos para um programa. Deve ser coerente e sustentável. Necessitamos de uma política fiscal e monetária, porém ela deve ser sustentável a longo prazo", disse Krueger, numa entrevista coletiva em seu segundo e último dia no Chile. A dirigente do FMI adiantou que o programa argentino deve contemplar crescimento econômico e um ambiente de estabilidade.Segundo Krueger, as autoridades argentinas se mostraram dispostas a trabalhar com o Fundo Monetário na elaboração de um programa de recuperação econômica.E assinalou que o governo deve formular uma nova política monetária, reestruturar seu sistema bancário e negociar com os credores. Também é necessário elaborar um orçamento nos marcos de uma política fiscal e estabelecer um sistema de taxa de câmbio de longo prazo.Essas seriam as principais pré-condições que o Fundo está impondo à Argentina. "A grosso modo, isso é o que será requerido para um novo apoio do Fundo. Porém, como as autoridades vão fazer isso, será de sua escolha, e há uma série de ações que poderão ser adotadas para se chegar a essa meta."A dirigente do FMI informou que desde segunda-feira uma missão do Fundo encontra-se em Buenos Aires analisando a situação financeira e bancária do país, e na próxima semana outro grupo chegará à Argentina para conhecer mais detalhes sobre a situação da dívida.Na opinião de Krueger, a crise argentina é responsabilidade apenas dos seus governos passados, e não tem relação com o quadro recessivo mundial.A dirigente se mostrou preocupada com a possibilidade de retorno da hiperinflação no país. "Creio que a emissão de moeda resultaria muito rapidamente em hiperinflação, que anularia qualquer outro tipo de coisas (positivas) que poderiam suceder", disse a economista.Krueger fez essas declarações depois que o Senado argentino aprovou as novas normas para a atividade do Banco Central, permitindo a emissão de pesos sem que haja reservas em dólares.E também expressou dúvidas sobre as intervenções do BC argentino no mercado de câmbio, com o objetivo de impedir uma queda acentuada do peso em relação ao dólar.Anne Krueger manifestou sua satisfação com a decisão do governo argentino de flexibilizar o chamado "corralito", permitindo aos titulares de contas em dólares transformar até US$ 5 mil em pesos na cotação oficial, para depois retirá-los dentro dos limites fixados.Mas evitou comentar a denúncia de fuga de capitais da Argentina antes do anúncio das medidas de restrição aos saques, o que tem provocado a investigação de bancos e empresas transportadoras de valores pela Justiça.Nesta sexta-feira, Anne Krueger discutiu a situação argentina e chilena com o presidente do Chile, Ricardo Lagos, e seu ministro da Fazenda, Nicolás Eyzaguirre.E afirmou que a crise argentina não terá maiores repercussões na América Latina, já que os mercados financeiros entendem que se trata de uma situação pontual, desvinculada das outras economias do continente. Segundo a dirigente do FMI, o alto risco para investimentos na Argentina não deverá impedir a chegada de capitais aos países vizinhos, como Chile e Brasil.Leia o especial

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