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FMI diz que cenário base dos EUA não é de recessão

Diretor-gerente do Fundo admitem porém, que a crise de crédito deve impactar a economia real

NALU FERNANDES, Agencia Estado

15 de outubro de 2007 | 13h32

O cenário base do Fundo Monetário Internacional (FMI) é de desaceleração da economia global, mas não de uma recessão nos Estados Unidos, afirmou o diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato. "Há diversos elementos que dão suporte aos EUA", acrescentou. Ele reconhece que o ambiente global mudou desde a turbulência de agosto nos mercados financeiros e também que essa crise de crédito deve ter impacto sobre a economia real. "Os riscos aumentaram e os desequilíbrios globais pioraram", afirmou. De acordo com o diretor-gerente do FMI, "a grande questão é saber se a economia global está em um ponto de inflexão". Os eventos no mercado financeiro, argumenta, expuseram as fraquezas nos sistemas regulatórios, mas ele adverte que os países, individualmente, têm de tomar cuidado para não reagir de forma exagerada. Para Rato, a questão regulatória precisa ser abordada de forma multilateral. Índia  Além disso, segundo Rato, o FMI não vê risco de aquecimento excessivo da economia indiana se a política monetária naquele país se mantiver no padrão atual. O diretor reconheceu que o país experimenta um "padrão impressionante de crescimento", mas estimou a expansão do PIB do país em 8,4% em 2008, abaixo da taxa registrada em 2006 (9,7%).  O FMI vê a credibilidade da política monetária melhorando na Índia e avalia positivamente a abordagem "flexível da moeda". "O que é muito útil para gerenciar uma economia em avanço", acrescenta Rato. "Vemos a necessidade de manter a abertura da economia do país", afirmou o diretor do FMI. Sobre a China, Rato diz que "não houve reequilíbrio de demanda (interna) como era esperado". A política monetária no país, pondera, precisa focar a estabilidade de preços e permitir aumento do consumo doméstico. A China, estima o diretor, precisa "reequilibrar o crescimento para permitir forte consumo (interno)". Para os mercados emergentes, em geral, o Fundo vê risco de aumento da inflação.  Dólar Ele comentou também que a moeda norte-americana está sobrevalorizada nos mercados internacionais. "Nós vemos forte depreciação à frente", afirmou.  Embora o diretor não tenha falado qual seria um nível considerado justo para o dólar, em oposição, ele afirmou que o euro está "muito próximo da situação de equilíbrio". Rato afirmou que o Fundo vê redução no déficit de conta corrente dos EUA, mas ressaltou que não acredita que será substancial. "Para abordar a questão é necessário, por exemplo, aumento da poupança e lidar com questões estruturais como área de saúde e sistema de pensão".  Reforma Na entrevista aos jornalistas, Rato também classificou como "importante e crucial" o processo de reforma de cotas do FMI. Ele avalia que a instituição precisa continuar movendo-se para um desenho de cotas que dê maior voz para economias que têm agora maior papel no globo. Rato lembra que o Fundo estabeleceu o encontro anual de 2008 como a data limite para a conclusão da reformulação em andamento.  O diretor-gerente deixa o FMI este mês e sua vaga será ocupada pelo francês Dominique Strauss-Kahn. Rato disse aos jornalistas que não está voltando para a vida política na Espanha.

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