MANDEL NGAN | AFP
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FMI diz que corrupção desestabilizou o Brasil

Análise mostra País como exemplo de que, quando a corrupção torna-se sistêmica, pode desencadear instabilidade política e afetar o crescimento

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 05h00

NOVA YORK - Os escândalos recentes de corrupção no Brasil ilustram como as investigações sobre o desvio de dinheiro público podem desestabilizar o sistema político de um país, afirma um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado ontem. Uma das consequências da corrupção, quando é sistêmica, é que ela pode desencadear instabilidade política e afetar o crescimento econômico de um país, conclui a análise.

O estudo usa o Brasil e a Guatemala como exemplos das consequências da corrupção para a política. Neste último país, o presidente e o vice-presidente eleitos caíram em 2015 após a descoberta de um escândalo envolvendo desvio de recursos arrecadados com impostos. Esse ambiente aumenta a incerteza dos consumidores e investidores, com impacto negativo na confiança e consequentemente nas decisões de gastos em consumo e investimento.

No Brasil, além da instabilidade política, a corrupção vem tendo outras consequências e contribuiu também para o aumento dos custos para tomar recursos no mercado internacional, de acordo com o estudo. Ou seja, fica mais difícil e caro para empresas e governos captarem dinheiro no exterior. “Indícios de corrupção na Petrobrás contribuíram para uma série de downgrades de crédito do Brasil pelas três principais empresas globais de classificação de crédito”, afirma o relatório do FMI.

Países com alto nível de corrupção tendem a ter maior risco de default, elevando assim os custos de crédito.

Uma das principais conclusões do relatório do FMI é que a corrupção reduz o crescimento econômico e o desenvolvimento de um país. Além disso, tem custos altos para a sociedade. O estudo cita recentes estimativas que apontam que somente em propinas são pagos algo entre US$ 1,5 trilhão a US$ 2 trilhões por ano nos países em desenvolvimento e avançados.

Custos. “Enquanto os custos econômicos diretos da corrupção são bem conhecidos, os custos indiretos podem ser ainda mais substanciais e danosos, levando a baixo crescimento e mais desigualdade de renda”, afirma a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em um texto divulgado junto com o relatório.

O estudo do FMI lista uma série de consequências da corrupção para a atividade econômica. Uma delas é que essas práticas aumentam a evasão de impostos, o que dificulta a arrecadação dos governos e a capacidade de desempenhar funções públicas básicas.

Outra consequência perversa das ações criminosas é que ao inflar os custos de obras públicas, a corrupção sistêmica reduz a qualidade e a quantidade do gasto público.

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