FMI diz que CPMF é opção menos pior para viabilizar ajuste fiscal

Para Otaviano Canuto, diretor-executivo da entidade, acerto nas contas públicas do Brasil precisará de alta de impostos 

Ricardo Leopoldo, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2015 | 18h31

O diretor-executivo do FMI, Otaviano Canuto, disse nesta quarta-feira, 14, que a CPMF é, entre todos os tributos, o menos pior para colaborar com o governo para viabilizar o ajuste fiscal para o próximo ano. "Não me parece que há alternativa menos ruim que a CPMF", disse. 

Canuto comentou que, "no curto prazo, ou veremos deterioração fiscal ou teremos que aceitar alta da carga tributária." Segundo ele, o ajuste das contas federais precisará de alta de impostos, pois há um quadro de piora dos resultados do setor público consolidado e retração da economia muito acima do esperado, o que afeta as receitas do governo.

"Ninguém esperava que o ponto de partida fiscal fosse tão ruim no início deste ano", disse, referindo-se ao déficit primário de 0,6% do PIB em 2014. "Também não vi ninguém no começo do ano estimar uma recessão com queda do PIB de 3% para este ano, com uma redução da arrecadação tributária proporcional a esta queda do produto interno bruto." 

Canuto afirmou que "a necessidade de desenlace das questões políticas" relacionadas à polarização de opiniões na sociedade sobre a possibilidade de afastamento da presidente Dilma Rousseff é uma condição importante para a aprovação do ajuste fiscal pelo Congresso. "Quero crer que nos próximos 2 ou 3 meses vamos ter clareza se vamos ter ou não impeachment", destacou. Segundo ele, se ficar evidente que não haverá o impedimento de Dilma, as coisas "começarão a se acomodar" no País.

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