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FMI e Bird evitam polêmica com Lula

Proposta de criação de instituições multilaterais próprias não parece ter incomodado Rato e Zoellick

Patrícia Campos Mello e Rolf Kuntz, O Estadao de S.Paulo

19 de outubro de 2007 | 00h00

A convocação do presidente Lula para que os países em desenvolvimento criem as próprias instituições multilaterais não parece haver abalado o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, nem o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Rodrigo de Rato.Os africanos estão ansiosos para trabalhar com o banco e os governos estaduais do Brasil estão interessados em financiamento direto, por causa de suas limitações fiscais, disse Zoellick.Rato preferiu não polemizar: ''''Esta é uma de minhas últimas entrevistas (ele deixará o posto no começo de novembro) e não abandonarei a regra de não responder a comentários de outras pessoas''''. Mas acrescentou haver mantido ''''relações muito boas com o Brasil e com o presidente Lula'''' em seus três anos e meio no FMI.Além disso, observou Rato, a reforma iniciada no ano passado em Cingapura envolve a atribuição de maior poder de voto aos emergentes e aos pobres e isso responde, segundo ele, à reclamação do presidente brasileiro.No Congo, na segunda-feira, o presidente Lula havia defendido, em discurso, a criação de instituições financeiras dos países pobres e emergentes para substituir o Fundo e o Bird. ''''Não há lugar para as nações em desenvolvimento no Banco Mundial e no FMI'''', havia dito Lula. As duas instituições, segundo ele, são dos ricos.Zoellick e Rato mencionaram contatos recentes com as autoridades brasileiras e referiram-se ao Brasil como um sócio muito ativo das duas instituições. ''''Estamos criando parcerias mais próximas com países de renda média e desenvolvendo maneiras de melhor servir a eles'''', disse Zoellick. ''''Eu me reuni com o presidente Lula e com o ministro da Fazenda no Brasil e discutimos suas sugestões para financiamento de infra-estrutura na América Latina.''''Os países de renda média têm papel essencial na estratégia do Banco Mundial, disse Zoellick, e uma das opções, segundo ele, é agir em questões de grande interesse desses países, como biocombustíveis para o Brasil e crescimento com menos poluição no caso da China.Os países de renda média têm também papel ativo no banco,disse Zoellick, colaborando, por exemplo, na transferência de conhecimentos. ''''Falei com o presidente Lula sobre pesquisas agrícolas na África e o incrível crescimento da China também oferece lições úteis.'''' China, Índia e os países de renda média vinculados ao Bird representam, segundo Zoellick, 70% dos pobres do mundo.Uma das maneiras de diversificar a cooperação é a oferta de financiamento a governos subnacionais. Alguns governos estaduais brasileiros, sujeitos a restrições fiscais, vêm discutindo com o Fundo empréstimos diretos. Há programas semelhantes com a China.O comentário de Lula no Congo foi tema de três perguntas na coletiva. ''''O presidente Lula disse uma coisa correta: as pessoas estão ficando frustradas com essas instituições, a linguagem é boa, os relatórios são bem escritos, mas querem saber de prazos para mudanças no FMI e Banco Mundial, providências para mudanças climáticas'''', disse um jornalista sul-africano.Em resposta, Zoellick mencionou o programa de reformas do Bird, com redução de juros e diversificação de linhas de financiamento, mas no final devolveu a bola: a velocidade da ação depende também da ação dos governos. FRASESRodrigo de RatoDiretor-gerente do FMI''''Esta é uma de minhas últimas entrevistas (no comando do Fundo) e não abandonarei a regra de não responder a comentários de outras pessoas''''Robert ZoellickPresidente do Banco Mundial''''Estamos criando parcerias mais próximas com países de renda média e desenvolvendo maneiras de melhor servir a eles''''

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