''FMI e Bird não podem ser condomínio dos EUA e UE''

Em mais um discurso de crítica aos países desenvolvidos, a quem atribui a responsabilidade pela crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que é "impensável" que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) continuem sendo "um condomínio de europeus e norte-americanos".A declaração foi feita no Itamaraty, durante almoço em homenagem à presidente das Filipinas, Gloria Arroyo, quando Lula ressaltou que a crise é uma oportunidade para a construção de "uma nova ordem e governança internacionais". Para Lula, a crise "nos mostra que o mundo não pode ser regido por um clube de sete ou oito países ricos, sem levar em conta mais da metade da humanidade". Segundo ele, as organizações políticas e econômicas multilaterais "não podem mais prescindir do peso e da legitimidade dos países em desenvolvimento".Depois de defender a reforma também das Nações Unidas e agradecer o apoio das Filipinas ao pleito brasileiro por um assento permanente no Conselho de Segurança da organização, Lula salientou que o momento atual exige dos países em desenvolvimento uma atitude firme e coerente no enfrentamento da crise. "A crise atual resultou de um ciclo de quase três décadas de equívocos cometidos em nome do neoliberalismo. Foram as teses do Estado mínimo, das privatizações desenfreadas de empresas públicas e a crítica à forte presença reguladora do Estado que conduziram a economia global à beira do abismo", desabafou o presidente.ENCONTRO COM GEITHNERA convite do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, embarca para Washington para uma reunião reservada na quarta-feira. No encontro, Geithner e Mantega vão discutir saídas para a crise, regulação financeira e reforma dos organismos multilaterais.Desde a posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Mantega e Geithner só tinham mantido encontros rápidos em reuniões de cúpula do G-20 (grupo das maiores economias do mundo). Agora, segundo assessores, surgiu uma brecha na agenda dos dois para uma aproximação mais estreita. O ministro tem interesse nas discussões sobre uma reforma do FMI que garanta maior espaço aos países emergentes. Geithner também já defendeu uma reforma mais profunda.

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