FMI e G-20 pressionam por reforma de fundo

Parlamentos europeus são alertados para aprovar fundo europeu de estabilidade

ROLF KUNTZ, ENVIADO ESPECIAL/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h01

Para enfrentar a ameaça cada vez mais próxima de um novo desastre econômico, os governos do mundo rico dependem mais dos parlamentos, neste momento, do que dos Ministérios de Finanças e dos bancos centrais.

Enquanto os mercados pressionam os governos endividados e ameaçam grandes economias, como Itália e Espanha, o projeto do mais poderoso instrumento de ajuste financeiro da Europa encalha nos canais da política. Apenas cinco dos 17 países da zona do euro aprovaram até agora o novo modelo da Linha Europeia de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês), concebido para socorrer com rapidez e pouca burocracia os países em dificuldades.

O objetivo mais urgente neste momento é conseguir a aprovação desse projeto, disse ontem o diretor do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), Antonio Borges, reforçando a mensagem dos ministros de Finanças do G-20, incluída em seu comunicado conjunto da noite anterior.

O suspense político mais dramático transferiu-se dos Estados Unidos para a zona do euro. No começo de agosto, o presidente Barack Obama conseguiu aprovação do Congresso para ampliação da dívida federal. O pacote de ajuste depende ainda do Congresso, mas a crise de confiança afeta principalmente os mercados financeiros e os governos europeus mais endividados.

O recado do G-20 aos parlamentos da Europa foi repetido numa entrevista, ontem cedo, pelo ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo ele, colegas europeus indicaram durante o encontro a expectativa de aprovação do projeto em todos os países da zona do euro num prazo de três semanas. Mas nada garante o acerto dessa previsão. Cada país tem um ritual político próprio. Em alguns, especialmente na Alemanha, há uma forte resistência à remodelação do fundo e, além disso, parlamentares podem ter um sentido de urgência diferente daquele das autoridades econômicas e financeiras. O "tempo politico" é diferente do "tempo econômico", observou Mantega.

Também na quinta-feira, o comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, havia dedicado um terço de seu discurso no Peterson Institute for International Economics, em Washington, à urgência de por em funcionamento do EFSF. Esse passo, disse o comissário, tem uma importância "crítica" - adjetivo usado duas vezes em seguida.

O EFSF, com sede em Luxemburgo, terá garantidos € 440 bilhões para atuar, mas poderá levantar mais dinheiro para suas operações. No desenho original, o esquema de garantias para o uso de recursos era mais complicado. Mas o novo modelo torna o fundo mais flexível, permitindo-lhe socorrer países com rapidez, mesmo antes da aprovação de programas de ajuste. Além disso, será permitido o uso de recursos para capitalização de bancos e para empréstimos longos e baratos a países. O novo modelo foi aprovado pelos chefes de governo da zona do euro numa reunião em Bruxelas, em 21 de julho, e apresentado como o esboço de um Fundo Monetário Europeu.

Essa mudança de atribuições é mais importante que o aumento de recursos, comentou o diretor do Departamento Europeu do FMI, Antonio Borges. Com mais poderes, o EFSF poderá ajudar os países a resolver seus problemas, atuando numa linha diferente da do Banco Central (BCE), mais apropriado para promover a normalização dos mercados.

O fundo, de toda forma, só poderá fornecer parte da solução para os desafios mais urgentes, observou o diretor. É necessária, segundo ele, uma ação coletiva para a superação da crise de confiança e para criação de condições favoráveis ao crescimento.

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