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FMI e ONU elevam previsões de crescimento do PIB mundial

ONU indica que o crescimento da economia latino-americana será de 4,8% em 2007. Há seis meses, a previsão era de um crescimento do PIB de 4,2%

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 19h11

A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) destacam o bom momento da economia mundial e já fazem revisões para cima no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de países. Os principais organismos econômicos internacionais se reuniram nesta segunda-feira, 2, em Genebra para debater o cenário financeiro mundial e, apesar dos riscos, a conclusão é de que a redução do ritmo de crescimento previsto para 2007 não será tão pronunciada como se esperava.A ONU indica que o crescimento da economia latino-americana será de 4,8% em 2007. Há seis meses, a previsão era de um crescimento do PIB de 4,2%. Segundo a ONU, o desempenho de várias economias latino-americanas "surpreenderam". A região, portanto, deve repetir o mesmo desempenho de 2005, mas ainda ficará abaixo dos 5,7% de crescimento verificado em 2006. Para 2008, a previsão é de um crescimento de 4,4%.Para a ONU, os resultados de Brasil, Argentina e México ficaram "acima do esperado" nos primeiros meses do ano. Alguns dos fatores que contribuem para o crescimento são a alta da demanda doméstica o desempenho das exportações. Além disso, a inflação na região atingiu o menor patamar da história, com 5% em 2006.No caso do Brasil, a ONU aposta em um aumento na demanda doméstica e na consolidação de uma balança de comércio positiva para o País. Isso graças à manutenção do crescimento das exportações. Segundo o relatório, a revisão do cálculo do PIB brasileiro mostrou que consumo e investimentos estão em condições mais robustas que o esperado. O problema, no caso do Brasil e de outros latino-americanos, é que o crescimento nos últimos 15 anos não gerou uma queda do desemprego e a criação de postos de trabalho produtivo foi limitado.No Brasil, onde a média de crescimento do PIB entre 1990 e 2005 foi de 2,5%, o salário real de trabalhadores da indústria ficou estagnado. A alta na produtividade do trabalhador brasileiro foi ainda de apenas 0,6% ao ano, contra 7% na China e 2,8% no Chile.GlobalApesar desse desafio, a ONU estima que a economia mundial deverá apresentar mais um ano de crescimento em 2007, chegando a 3,4%. A taxa é inferior aos 4% de 2006, mas não tão baixa como se pensava inicialmente. A ONU estimava que a taxa seria de 3,2% e foi obrigada a rever para cima seus cálculos. Segundo o levantamento, 90 países terão uma alta de seus PIBs acima de 3%. Para 2008, a previsão é de um aumento do PIB mundial de 3,6%. Entre os países ricos, o crescimento será de 2,3%, uma revisão de 0,1% em relação aos cálculos iniciais.Para o próximo ano, o crescimento dos países ricos deve chegar a 2,5%. O FMI também aponta para um ano de forte crescimento, mas estima que a taxa seja de 5%. Segundo o vice-diretor-gerente do Fundo, Murilo Portugal, a diferença no cálculo existe porque a ONU utiliza a paridade de poder de compra para estipular o PIB dos países. Para Portugal, um dos grandes responsáveis pelo cenário de sólido crescimento é a previsão de recuperação da economia americana para o segundo semestre do ano e para 2008, depois de uma queda relativa nos primeiros meses desse ano.Parte da recuperação ocorrerá graças à correção no mercado imobiliário e da alta de investimentos. A ONU é mais cautelosa e alerta que ainda existe o risco de que a recessão no mercado imobiliário americano contamine outras áreas da economia. Murilo Portugal estima que se a marca de 5% de crescimento for confirmada em 2007, o mundo terá completado os cinco anos de maior alta desde os anos 60.DesafioPara a ONU e para o FMI, o desafio da comunidade internacional é de como manter o crescimento da economia mundial nos próximos anos. De fato, se o ambiente internacional continua aparentemente positivo, a volatilidade nos mercados estão sendo cada vez mais sentidas. Em alguns casos, como na turbulência na China em fevereiro, ficou claro que os riscos existem. Os mercados conseguiram se recuperar rapidamente, mas o alerta foi claro.Outro risco é o do desequilíbrio da contas internacionais. Os americanos reduziram seu déficit de US$ 860 bilhões em 2006 para US$ 800 bilhões em 2007. Mas o valor é ainda alto. De outro lado, exportadores de petróleo acumulam um superávit de US$ 500 bilhões, os asiáticos com uma balança comercial favorável em US$ 200 bilhões e a América Latina em seu quarto ano de superávit, algo sem precedentes.Não por acaso, a ONU alerta para a "acumulação massiva" das reservas internacionais dos países emergentes, com a China atingindo US$ 1,2 trilhão e a América Latina outros US$ 300 bilhões. Se de um lado tanto a ONU como o FMI concordam que essas reservas são "seguras" contra choques externos, elas também têm custos.Segundo a ONU, a acumulação pode criar inconsistências entre intervenções no mercado e política fiscal, além de ter custos fiscais. Para completar, um volume recorde de US$ 662 bilhões foram transferidos dos países emergentes para os países ricos em 2006 em forma de compra de papéis. Na prática, são os países emergentes quem estão financiando os déficits nos países ricos.ComércioQuanto o fluxo de comércio, a ONU estima um crescimento de 7%, contra 9% em 2006. Se a queda está sendo gerada pela desaceleração na economia americana, a ONU não deixa dúvidas de que a conclusão da Rodada Doha ajudaria a manter elevado as taxas das exportações. Pela primeira vez, as exportações dos países emergentes em 2007 devem chegar a US$ 5 trilhões, contra US$ 2 trilhões em 2002. Desse total, quase um quinto são vendas chinesas.

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