FMI e UE divergem sobre dívida da Grécia

Reunião do Eurogupo é interrompida e impasse sobre liberação de ajuda continua

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h06

O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer um programa para a Grécia que mantenha o país financiado até 2016, enquanto a zona do euro insiste em adotar um plano de financiamento que cubra as necessidades do país apenas até 2014, segundo fontes envolvidas na negociação.

"Há uma diferença fundamental sobre por quanto tempo a Grécia deverá estar financiada. O encontro (do Eurogrupo) foi interrompido e os participantes estão fazendo conversas privadas para ver se isso poderá ser superado", disse uma fonte. Antes da pausa, a expectativa era de que a reunião dos ministros de Finanças da zona do euro se estendesse até o início da noite.

Autoridades da zona do euro disseram à agência Dow Jones que estão dispostas a enfrentar formas para resolver um buraco de 15 bilhões no financiamento da Grécia até 2014, mas querem adiar para anos futuros uma decisão sobre como enfrentar os 17,6 bilhões adicionais que a Grécia vai precisar para se financiar entre 2014 e 2016. "O FMI quer um programa até 2016 aqui e agora", disse outra fonte.

Antes do início do encontro, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que trabalharia "muito construtivamente" para alcançar um acordo sobre a Grécia. "Esse é nosso objetivo, nossa proposta e nossa missão."

Lagarde já havia discordado abertamente de Jean-Claude Juncker, chefe do grupo de ministros de Finanças da zona do euro, em uma entrevista à imprensa na semana passada, insistindo que o encargo da dívida grega deve ser reduzida para 120% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020. Alguns ministros são a favor de dar à Grécia dois anos extras para que o país atinja esse objetivo, uma medida que aliviaria um pouco da pressão sobre os credores gregos. Para o comissário de Economia da União Europeia, Olli Rehn, "os credores externos da Grécia podem precisar adotar novas ações no decorrer dos próximos anos para assegurar a sustentabilidade da dívida do país". Segundo ele, os ministros de Finanças da zona do euro devem até mesmo adotar medidas capazes de reduzir a dívida grega. Ele indicou, no entanto, que os credores do país podem precisar discutir novas medidas no médio prazo, caso seja necessário.

Alternativas. Um plano inicial da zona do euro para um programa de recompra dos bônus da Grécia em poder do mercado poderia envolver cerca de metade dos títulos gregos detidos por investidores privados e, se for bem-sucedido, reduzir a dívida do país em cerca de 10% do PIB, segundo fontes envolvidas diretamente nas negociações. A proposta foi debatida na reunião com outras medidas que incluem o corte dos juros sobre os empréstimos atuais para a Grécia e a extensão do prazo para que o país inicie o pagamento dos resgates recebidos.

"A meta é atrair detentores de cerca de metade dos bônus em mercado com uma oferta inicial de cerca de 25 centavos de euro", disse uma das fontes. "Se tudo correr bem, esperamos que isso esteja concluído dentro de mais ou menos três meses."

A troca de dívida da Grécia completada em março deste ano reduziu o estoque da dívida em poder do mercado para cerca de 63 bilhões. Uma taxa de adesão de 50% ao preço de 25 centavos de euro por bônus permitiria que a Grécia recomprasse 31,5 bilhões em dívida no mercado com um desembolso de cerca de 8 bilhões. Isso reduziria o estoque de dívida do país em cerca de 23,5 bilhões, ou mais de 10% do PIB. / DOW JONES NEWSWIRES

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