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FMI eleva pressão sobre Washington

Impasse na política americana põe em risco a duplicação de recursos do Fundo; reformas aumentariam capital da instituição para US$ 740 bi

ROLF KUNTZ, ENVIADO ESPECIAL / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2014 | 02h04

Com cerca de US$ 370 bilhões em jogo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou a pressão sobre os Estados Unidos para destravar o plano de reformas parado no Congresso americano. Um dos objetivos das mudanças é dobrar para cerca de US$ 740 bilhões o capital formado pelas cotas.

"Implementar as reformas continua sendo nossa mais alta prioridade e insistimos com os Estados Unidos para ratificá-las na primeira oportunidade. Estamos comprometidos a manter um FMI forte e adequadamente financiado", afirmaram em comunicado os ministros do Comitê Monetário e Financeiro, o principal formulador de diretrizes da instituição. "Se as reformas de 2010 não forem ratificadas até o fim do ano", acrescentaram, "pediremos ao FMI para desenvolver, com base no trabalho existente, opções para os próximos passos e programaremos uma discussão dessas opções."

O secretário do Tesouro dos Estados, Jacob Lew, membro do comitê, reafirmou o compromisso do governo Obama de trabalhar pela aprovação do projeto (ler abaixo). Se o esforço der resultado, será possível evitar a solução indicada no final do documento. Um caminho alternativo implicará uma "reforma da reforma", disse numa entrevista coletiva, depois da reunião, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. O assunto já está em exame, embora Lagarde e seus companheiros de diretoria evitem falar sobre alternativas.

O presidente do comitê, Tharman Shanmugaratnam, ministro das Finanças de Cingapura, mostrou algum otimismo quanto à ratificação das reformas. Tem crescido no Congresso americano, segundo ele, a percepção da importância do FMI para a segurança da economia mundial. Sem as reformas, argumentou, o multilateralismo será prejudicado e o mundo não será melhor nem para os EUA.

Jogo. Em ano de eleições, no entanto, esse otimismo pode ser facilmente desmentido pelos fatos. No ano passado, a oposição retardou a aprovação do orçamento e deixou o Executivo sem dinheiro para alguns grupos de despesas correntes. Foi necessário fechar vários serviços federais. A disputa das eleições marcadas para novembro pode tornar o jogo ainda mais duro neste ano. Além disso, se a reforma for tentada sem a bênção do Congresso, o Tesouro ficará sem condição legal de integralizar as novas cotas da participação americana.

A parte politicamente mais vistosa das reformas é a redistribuição de cotas e de poder de voto, com representação mais proporcional ao tamanho dos grandes emergentes e um pouco mais de peso para os mais pobres. Mas o ponto ressaltado no documento do comitê foi mesmo o problema dos recursos para o FMI.

A maior parte do comunicado e da entrevista foi dedicada, no entanto, aos principais assuntos discutidos durante a semana e esmiuçados em vários relatórios. Repetiu-se o otimismo quanto ao crescimento mundial mais firme e à recuperação, liderada pela economia americana, dos países avançados. Também se repetiram os alertas sobre riscos criados pela redução dos estímulos monetários no mundo rico. Foram reiteradas as sugestões de cautela e de austeridade aos governos de emergentes com desajustes importantes, como inflação alta e contas publicas em situação precária. Nos relatórios divulgados nos dias anteriores, o Brasil foi citado várias vezes quando houve menção a esses problemas.

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