FMI elogia País no combate a efeito da alta de alimentos

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, saudou as impressionantes conquistas econômicas da América Latina na última década, mas alertou que persistem preocupações com a sustentabilidade de alguns desses feitos, como a dependência das commodities e o progresso limitado para reduzir as desigualdades. Strauss-Kahn destacou ainda sua preocupação com a alta dos alimentos, mas observou que países como o Brasil e o México "possuem programas públicos bem direcionados e eficientes em termos de custos para proteger os pobres, que podem ser adaptados e copiados em outros lugares".Em texto preparado para o discurso na 38ª Conferência do Conselho da América, que acontece em Washington, o diretor do FMI mencionou que a América Latina teve na última década a expansão mais vigorosa e sustentada desde os anos 1970 e destacou que estruturas macroeconômicas prudentes reduziram a dívida pública em um terço e a inflação caiu para a faixa de um dígito. Segundo ele, "a maior integração na economia global ajudou a consolidar essas conquistas".Entretanto, entre os riscos mencionados por Strauss-Kahn, está o fato de boa parte do recente crescimento nas exportações refletir a alta dos preços das commodities, o que faz aumentar a dependência de um setor volátil. Ele observou ainda que o progresso no longo prazo para reduzir as desigualdades na região e a pobreza foi limitado em boa parte da região, o que mantém as tensões sociais elevadas em vários países, e acrescentou que as classes mais pobres sofreram ainda com o peso do recente aumento nos preços de alimentos.Strauss-Kahn considera essencial que o mundo adote medidas significativas para administrar os efeitos econômicos e proteger os pobres do impacto da alta dos preços dos alimentos. Segundo ele, o FMI já vem aconselhando os governos latino-americanos sobre como fazer isso.Para que o crescimento na região possa ser sustentável, Strauss-Kahn acredita que os países devem ter como prioridade aumentar o investimento e a produtividade, fortalecer a infra-estrutura e melhorar a educação. "Essas ações vão reduzir a pobreza no longo prazo, mas enquanto isso precisamos ajudar a manter o recente crescimento da América Latina nos trilhos", disse.Em relação à economia global, o diretor-gerente do FMI saudou as ações dos EUA para responder às restrições nos mercados financeiros, mas alertou que se o crescimento em outras regiões do mundo, especialmente na China, desacelerarem, o impacto na América Latina pode ser severo. Para que o crescimento na China seja sustentado, será preciso reduzir a dependência do país nas exportações e no crescimento do investimento e reequilibrar a demanda para ter maior consumo doméstico. "O mundo precisa que a China avance mais e rapidamente, para evitar novos desalinhamentos entre as principais moedas", declarou Strauss-Kahn.

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