FMI: emergentes divergiram da crise, mas não descolaram

Previsão para este ano das economias emergentes ainda é de 7% de crescimento

Adriana Chiarini e Jaqueline Farid, da Agência Estado,

07 de março de 2008 | 15h46

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Murilo Portugal, disse nesta sexta-feira, 7, que o grande crescimento das economias emergentes mostra que elas "divergiram" da crise iniciada nos Estados Unidos, mas ainda não mostraram que vão "descolar". Segundo ele, "as economias emergentes serão afetadas pela redução do crescimento global". Portugal afirmou, porém, que a previsão para este ano das economias emergentes ainda é de 7% de crescimento, muito influenciadas pela expansão da China e da Índia. Ele afirmou também que a América Latina entrou no período de turbulências em uma posição de força. E apontou três riscos principais para a economia mundial. O primeiro é a turbulência financeira se transformar em uma enorme crise de crédito, com declínio maior que o projetado para a economia dos Estados Unidos, o que teria efeito sobre outras economias avançadas. O segundo são os riscos de inflação, particularmente originados das matérias-primas (commodities), como petróleo e alimentos. O terceiro são desequilíbrios nos resultados em conta corrente (saldo de todas as transações de um país com o exterior) entre os países. Após discurso no evento do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), no Rio, Portugal explicou que o grande déficit em conta corrente nos Estados Unidos e os altos superávits em outros países, principalmente na China, criam riscos para a economia mundial "de serem resolvidos muito abruptamente". Isso significa que, se os desequilíbrios crescerem muito, os EUA podem ir para uma recessão que reduza também repentinamente as exportações da China para lá. De acordo com ele, o ideal é que os Estados Unidos aumentem as exportações, o que já vem ocorrendo, e também os investimentos, e que a China deixe de ter seu crescimento baseado em exportações e investimentos e passe a ter sua expansão fundamentada no consumo doméstico. Portugal disse também que não acredita que os "Estados Unidos possam ir para um lado e o mundo para o outro". Ele afirmou que o padrão de crescimento dos países está divergindo, mas que os Estados Unidos representam "25% do mundo (PIB)". "Nem o Brasil, nem a China nem ninguém" está imune de ser afetado pela crise, segundo ele. BrasilPortugal ainda comentou que as reservas brasileiras, no patamar elevado em que estão, são importantes para o fortalecimento do Brasil, que ele considera bem preparado para enfrentar a crise. No entanto, ele ressaltou que é difícil saber qual é o nível ótimo das reservas. Ele exemplificou que a Vale tem interesse em comprar a mineradora anglo-suíça Xstrata "por uma dezena de bilhões de dólares", o que afetará no nível das reservas. Segundo ele, atualmente não são só os critérios como os números de meses de exportação que devem ser vistos para avaliar nível de reservas. Ele defendeu que em alguns casos, as críticas fiscais sejam usadas de forma contracíclica, com ampliação dos gastos públicos para elevar o crescimento, mas ressalvou que apenas se a crise piorar e em países sem risco de desequilíbrio fiscal, com sustentabilidade da dívida assegurada e inflação na meta.

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