FMI espera que governo eleito defenda estabilidade

A vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, disse, em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, que o Fundo está pronto para conversar com qualquer governo que vença as eleições em outubro. "Basta, claro, que esteja empenhado nas questões da estabilidade macroeconômica, nas questões fundamentais que achamos que são muito importantes", afirmou. Ela disse ainda que o FMI está pronto a discutir qualquer "programa de contingência" que for necessário, desde que solicitado pelas autoridades brasileiras.Ela disse que o Fundo apóia "sem condições e sem qualificações" a política econômica brasileira e reafirmou que não veio iniciar negociações para um acordo de transição. Krueger lembrou que já há um acordo do Fundo com o Brasil em vigor e que há conversas regulares entre o FMI e as autoridades brasileiras por fax, telefone e e-mail. "Não haveria necessidade de vir ao Brasil para esse tipo de discussão", afirmou. "Vamos conversando em função do progresso dos acontecimentos que estão tomando forma".Krueger não quis dar declarações específicas sobre se um acordo poderia ser assinado antes ou depois das eleições. Disse tratar-se de questões hipotéticas, mas ressaltou que todo programa que for negociado é precedido de um trabalho técnico."A equipe econômica que trabalha com o presidente Fernando Henrique Cardoso é forte e sólida", declarou. Economia mundialAnne Krueger disse que, nos encontros com o presidente FHC e com membros da equipe econômica, discutiu-se a situação brasileira e a internacional. Em sua avaliação, a economia dos principais países está em processo de recuperação, e as perspectivas da economia americana são de que esse processo ocorra neste segundo semestre e entrando em 2003. Esta recuperação deverá facilitar também a recuperação na América Latina, onde, segundo ela, os problemas são localizados, não sistêmicos. "Os riscos são limitados." ArgentinaA vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, disse que o FMI não chegou a um acordo com a Argentina porque o país ainda não tem um programa com as características necessárias para ser aprovado pelo Fundo. O Brasil, ressaltou ela, tem todas essas características e por isso tem o apoio do FMI e da comunidade internacional. Ao ser indagada sobre quando o FMI fechará um acordo com a Argentina, ela respondeu que "o tempo não está do lado nem do Fundo, nem da Argentina", mas disse esperar que seja o mais breve possível, para que ajude o país na sua recuperação econômica.Krueger rejeitou as avaliações de que o FMI não está preocupado com a Argentina e seria insensível aos problemas do país e sua população. Anne Kruger concedeu entrevista em inglês com tradução simultânea pelo representante do FMI no Brasil, Rogério Zandamela.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.