FMI espera superávit comercial de US$ 6 bi no Brasil

O governo brasileiro e o FMI estimam um superávit de US$ 6 bilhões da balança comercial em 2002. A previsão consta dos dois documentos da primeira revisão do novo acordo do Brasil com o fundo, assinado no ano passado. A estimativa da revisão do acordo é maior do que o superávit de US$ 5 bilhões da balança comercial para 2002, previsto pelo Banco Central. Os termos da revisão do acordo foram aprovados ontem pela direção do FMI e os documentos, divulgados hoje pelo Ministério da Fazenda. Nos documentos do acordo original, o FMI e o Brasil haviam estimado um superávit de US$ 2 bilhões, valor que subiu agora para um saldo de US$ 6 bi. O FMI e o Brasil também fizeram uma estimativa para exportações e importações em 2002. De acordo com "Memorando de Política Econômica" da primeira revisão do acordo, o crescimento real das exportações este ano deve diminuir para 6%. Já as importações deverão ter uma queda de 2% em 2002. "Enquanto se projeta que o crescimento real das exportações diminua para 6% devido a uma demanda internacional mais fraca, uma demanda interna pouco aquecida e o impacto defasado de uma substancial depreciação em 2001 deverão levar a uma queda no volume de importações de cerca de 2%", afirma o documento.PIBO ambiente externo "mais difícil" fez com que os técnicos do FMI e do governo brasileiro reestimassem, para baixo, suas projeções em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2001 e 2002. De acordo com o "Memorando de Política Econômica", a economia brasileira crescerá em 2002 entre 2% e 2,5%. Para 2001 a estimativa é de que o PIB cresceu 2%. No documento-base do acordo, divulgado em setembro de 2001 - logo após a aprovação do acordo pela diretoria do FMI - a estimativa era de que a economia no ano passado cresceria entre 2,2% e 2,7% e em 2002 o PIB brasileiro registraria uma taxa de crescimento de 3,5%. "Essas menores projeções de crescimento refletem um ambiente externo mais difícil", argumentam os técnicos no documento. As projeções do Banco Central em relação ao comportamento do PIB brasileiro são semelhantes às indicadas no Memorando. O BC estimou o crescimento do PIB em 2001 em 2%, e aposta que este ano a economia brasileira crescerá 2,5%.InflaçãoO Banco Central estará preparado para endurecer a política monetária, se necessário, com a finalidade de defender a meta inflacionária. É o que o afirma os termos da primeira revisão do novo acordo do Brasil com o FMI. Na revisão, Brasil e o FMI reconhecem que a inflação em 2002 deverá ficar "ligeiramente" acima da meta central do governo, de 3,5% pelo IPCA. Segundo o "Memorando de Política Econômica" da primeira revisão do acordo, o comportamento da inflação continuará entre os aspectos considerados durante as revisões trimestrais do programa e o Banco Central continuará suas consultas regulares com os técnicos do Fundo a respeito da evolução da política monetária. InvestimentosO governo brasileiro e o FMI acreditam, ainda, que os investimentos estrangeiros diretos em 2002 somarão US$ 16 bilhões. A projeção está incluída no "Memorando de Política Econômica". De acordo com o documento, as projeções da conta de capital do balanço de pagamentos foram baseadas em "pressupostos conservadores" a respeito dos fluxos de investimentos e das taxas de rolagem para os empréstimos. De fato, a projeção para os investimentos estrangeiros diretos este ano é inferior à estimativa feita pelo Banco Central do Brasil, que projeta que estes investimentos somarão US$ 18 bilhões. Mesmo com um fluxo de investimentos menor do que os registrados nos últimos anos, os técnicos do governo brasileiro e do FMI acreditam que os recursos que ingressarão este ano no País serão suficientes para cobrir 81% do déficit em transações correntes. No memorando básico do acordo, divulgado em 11 de setembro do ano passado, a estimativa dos técnicos do FMI era de que os investimentos estrangeiros diretos em 2002 seriam suficientes para cobrir "cerca de 70%" do déficit em transações correntes.

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