FMI está pronto para ajudar a Grécia, diz Lipsky

O vice-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, disse que a instituição está pronta para ajudar a Grécia de qualquer forma possível e classificou as metas orçamentárias do país como "ambiciosas" e "apropriadas". Os comentários da autoridade foram feitos durante entrevista em Davos, paralelamente à reunião anual do Fórum Econômico Mundial.

GUSTAVO NICOLETTA, Agencia Estado

28 Janeiro 2010 | 14h27

A Grécia passou a receber atenção crescente da União Europeia (UE), dos mercados financeiros e das agências de classificação de risco após revelar no ano passado que seu déficit orçamentário atingiu o equivalente a 12,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB). O teto do déficit para países da UE, segundo as regras do bloco, é de 3% do PIB.

As autoridades agora acompanham os esforços da Grécia para reduzir tanto o déficit orçamentário quanto a dívida pública grega, que deve alcançar 120% do PIB neste ano. No início deste mês, o ministro de Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, apresentou um programa de três anos que tem como objetivo reduzir o déficit orçamentário para 8,7% do PIB em 2010 e para 2,8% do PIB até 2012.

Papaconstantinou disse hoje, no entanto, que não discutiu com o FMI ou outros governos europeus a respeito de um plano de resgate para o país. Segundo ele, os gregos solucionarão seus problemas sozinhos. Na segunda-feira, o país captou 8 bilhões de euros em uma emissão de bônus de cinco anos. Houve forte demanda pelos títulos, mas os preços dos bônus gregos recuaram acentuadamente no dia seguinte, após a notícia de que o banco de investimentos Goldman Sachs estaria negociando a venda dos papéis para a China.

Ele disse que a Grécia não conversou com a China e nenhum banco de investimentos foi incumbido de negociar com os chineses em nome do país europeu. Segundo o ministro, o governo possui apenas alguns meses para convencer os mercados financeiros de que pode implementar uma reforma profunda nas finanças públicas da Grécia, incluindo nessa mudança cortes significativos nos salários do setor público.

O primeiro semestre de 2010 será crucial para a execução das reformas e o cumprimento das metas de empréstimo, afirmou o ministro. Ele prevê que a economia grega encolherá 0,3% neste ano e voltará a crescer em 2011. As informações são da Dow Jones.

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