FMI estima que bancos perderam US$ 3,4 trilhões com a crise

Segundo o fundo, as instituições financeiras ainda terão de reconhecer mais US$ 1,5 trilhão em perdas

PATRÍCIA CAMPOS MELLO, ENVIADA ESPECIAL, Agencia Estado

30 de setembro de 2009 | 08h41

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua estimativa de perdas de bancos e outras instituições financeiras com a crise mundial, de US$ 4 trilhões para US$ 3,4 trilhões. Segundo o Fundo, a redução se deve a um aumento no valor dos títulos nos balanços do bancos. Mesmo assim, as instituições financeiras ainda terão de reconhecer mais US$ 1,5 trilhão em perdas.

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De acordo com José Viñals, diretor do departamento monetário e de mercado de capitais do FMI, a maioria das perdas virá de inadimplência em empréstimos tradicionais, decorrente do desemprego, por exemplo. Até então, as perdas eram provenientes de queda no valor dos títulos lastreados em hipotecas e outros papéis - que tinham de ser marcados a seu valor de mercado nos balanços dos bancos. "Até agora, EUA e União Europeia reconheceram um pouco mais de metade do total de perdas", disse Viñals, em entrevista.

O diretor do Fundo afirmou que os bancos já levantaram uma boa quantidade de capital para recompor o colchão de reservas. Mas, para que o mercado de crédito se restabeleça por completo, será necessário captar ainda mais recursos. Nos EUA e na Europa, será preciso levantar cerca de 1% do total de ativos consolidados dos bancos. "Os bancos ainda não têm capital suficiente, precisam de mais músculo para voltar a emprestar dinheiro", disse Viñals.

Segundo ele, as medidas para lidar com os ativos tóxicos dos bancos "estão muito atrasadas". "Houve progressos na recapitalização de bancos nos EUA e Europa, mas remover os ativos tóxicos dos balanços também é essencial para restabelecer o crédito", disse. E apesar de a situação ter melhorado bastante, é preciso conservar capital no momento, resistindo à tentação de distribuir dividendos, por exemplo.

Emergentes

Nos mercados emergentes, a situação melhorou significativamente, em decorrência da recuperação nos países maduros. Especialmente na Ásia e América Latina, os investimentos em papéis recuperaram-se e mais do que compensaram a queda dos empréstimos bancários internacionais. Já no Leste Europeu, continuam muito restritos tanto os empréstimos bancários internacionais quanto os investimentos em papéis. "Políticas para injetar liquidez nos mercados, estabilizar os balanços dos bancos e restaurar o crédito conseguiram reduzir os riscos nos mercados maduros. Com esses mercados se estabilizando, os riscos em mercados emergentes também caíram", disse Viñals.

Mas ainda há desafios. Empresas de países emergentes precisam refinanciar boa parte de suas dívidas em moeda estrangeira e o acesso a crédito por tomadores com classificação abaixo do chamado "grau de investimento" continua bastante restrito. Duas armadilhas podem minar a recuperação do sistema financeiro, diz o diretor do FMI. Em primeiro lugar, o mercado de crédito continua fraco, porque o processo de redução do endividamento e a desaceleração da economia fizeram a demanda por parte de consumidores e empresas cair.

Além disso, a capacidade de conceder empréstimos de bancos e outras instituições financeiras não se restabeleceu completamente. Ao mesmo tempo, o setor público, com uma série de intervenções - pacotes fiscais, resgates de bancos e outras empresas - está demandando muito mais crédito, reduzindo a disponibilidade de empréstimos para o setor privado.

A médio prazo, diz o Fundo, o desafio será administrar o endividamento público decorrente das medidas emergenciais adotadas para lidar com a crise. Segundo o Fundo, um aumento no déficit público equivalente a 1 ponto porcentual do PIB eleva as taxas de juros de longo prazo de 10 a 60 pontos-base.

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