FMI estuda carência para parte da dívida argentina

A possibilidade de o Fundo Monetário Internacional (FMI) conceder 12 meses de carência para a transferência de juros e capital de parte da dívida da Argentina pode trazer maiortranqüilidade ao mercado de câmbio do país, que ontem disparou para 2,05 pesos por dólar, obrigando o Banco Central da República Argentina (BCRA) a fazer a sua estréia e primeira intervenção em quase 11 anos, período em que a cotação do peso esteve fixada em um dólar.De acordo com informações da agência italiana Ansa, transmitidas ontem à noite de Washington, a diretoria do FMI, que deve se reunir à tarde, poderá aprovar esse "perdão" de 12 meses ainda hoje. Ainda segundo a Ansa, esse tema teria sido discutido e aprovado de forma informal pelo board do Fundo na semana passada, e seria oficialmente debatido e aprovado hoje.As negociações para a liberação de novos recursos - entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões para sustentar a desvalorização - por parte do FMI, dependerão da política monetária a ser adotada pela Argentina. Essa foi a proposta transmitida ao governo argentino pelos técnicos do FMI, liderados pelo diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental do FMI, Claudio Loser, em Buenos Aires. O Fundo exige a livre flutuação do peso como condição para a liberação de novos créditos.Ontem, o presidente Eduardo Duhalde reconheceu que o país poderá deixar flutuar sua moeda em quatro ou cinco meses. Já o ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, afirmou que essa possibilidade poderá ocorrer em cerca de 90 dias. Mas o governo argentino espera, antes de acabar com o regime de câmbio duplo, finalizar a reestruturação de sua dívida pública, que até dezembro do ano passado chegou a US$ 152bilhões, uma vez que tenha certeza de que a cotação do dólar não irá disparar. Diante dessa dúvida, Duhalde preferiu adotar o câmbio duplo logo depois de assumir a presidência do país.A missão técnica do FMI, no entanto, não está apenas discutindo a política monetária argentina. Os técnicos do Fundo estão ajudando na elaboração de uma proposta para o Orçamento de 2002, que pode ser encaminhada ao Congresso até sexta-feira.Leia o especial

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