FMI exige que Argentina melhore seus indicadores

Dados do país vêm sendo recebidos com ceticismo pelo menos desde 2007, quando Néstor Kirchner substituiu a equipe técnica do Indec por indicados políticos 

Renato Martins, da Agência Estado,

18 de setembro de 2012 | 19h11

WASHINGTON - O Conselho Executivo do FMI criticou o progresso lento da Argentina em melhorar os indicadores econômicos que publica e advertiu que poderá tomar "medidas adicionais" se o país não responder a essas preocupações. Em comunicado, o Conselho do Fundo "lamenta a falta de progresso suficiente" e exortou o governo argentino a agir imediatamente, notando que em dezembro o FMI fará uma reavaliação sobre o tema.

"Naquela altura, o Conselho Executivo vai voltar a rever esse assunto, e poderá considerar medidas adicionais, com base na reação da Argentina", diz o comunicado. Meses atrás, o FMI pediu que a Argentina melhore a qualidade de seus indicadores econômicos. Os dados do país vêm sendo recebidos com ceticismo pelo menos desde o começo de 2007, quando o então presidente Néstor Kirchner substituiu a equipe técnica do Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec) por indicados políticos.

A maioria dos economistas diz que o Indec subestima a inflação sistematicamente, o que reduz os pagamentos do governo relativos a bônus indexados á inflação e faz o desempenho da economia argentina parecer melhor do que provavelmente é. Em agosto, o Indec informou que os preços ao consumidor subiram 10% em agosto, em relação ao mesmo período de 2011; mas uma pesquisa entre 12 economistas do setor privado, publicada por membros oposicionistas do Congresso, produziu uma estimativa média de 24,3%.

Críticos do Indec lembram que o governo apoiou aumentos salariais de 20% a 30% anuais nos últimos anos, admitindo implicitamente que os preços ao consumidor estão subindo mais do que o Indec diz.

Embora negue que o Indec manipule os dados, o governo da presidente Cristina Kirchner agiu vigorosamente na tentativa de silenciar as estimativas de inflação produzidas no setor privado. No ano passado, o governo impôs multas pesadas, e em alguns casos iniciou processos criminais, contra economistas e consultorias privadas por publicarem estimativas de inflação maiores do que as que o Indec divulga. Essas estimativas alternativas são divulgadas por deputados da oposição porque eles têm imunidade parlamentar.

O governo de Cristina Kirchner anunciou o plano de desenvolver um novo índice de preços ao consumidor com a colaboração do FMI, mas, de acordo com o comunicado divulgado pelo Fundo, aparentemente houve progressos nessa área. As informações são da Dow Jones.

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