FMI foi conservador na previsão do PIB, diz Meirelles

Para o presidente do Banco Central, País deve crescer 5,8% este ano, [br]acima dos 5,5% previstos esta semana pelo Fundo

Tiago Décimo, SALVADOR, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

Um dia depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevar sua previsão para o crescimento e demonstrar preocupação com o superaquecimento da economia brasileira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, diz que o órgão está sendo "conservador" em sua projeção. "A previsão do FMI ainda é conservadora. Nossa previsão de crescimento, para este ano, é de 5,8%", disse.

Meirelles afirmou que, a despeito de "ciclos monetários normais", a taxa básica de juros deve manter tendência de queda nos próximos anos e que o grande desafio do País, agora, é o planejamento de longo prazo.

Sobre a recomendação, feita pelo FMI, para que instituições bancárias tenham uma taxação extra para criar um "fundo anticrise", Meirelles disse que "o País já tem um sistema financeiro equilibrado e uma taxação bastante sólida sobre o sistema financeiro".

"Nós temos a norma prudencial que é uma das mais rigorosas do mundo e, na última crise, o sistema financeiro não demandou nenhum centavo de dinheiro público", pondera. "Cada país tem de analisar (a proposta) da maneira que lhe faça sentido, mas vamos olhar a proposta com atenção e participando das discussões." Sobre as previsões para a taxa de câmbio brasileira, o presidente do BC voltou a destacar a importância da manutenção do câmbio flutuante como fundamento macroeconômico e disse haver pressões contrárias atuando sobre o real.

"Quando sobe o preço das commodities, tende a haver valorização do real. Por outro lado, quanto mais sobe o déficit em conta corrente, é necessário um ajuste", explicou. "O importante é que com a economia estabilizada, reservas fortes e câmbio flutuante temos condição de enfrentar qualquer situação."

Desequilíbrio. Meirelles disse acreditar que dois fatores estão provocando forte desequilíbrio econômico internacional no cenário pós-crise: o grande consumo e a baixa taxa de poupança dos Estados Unidos - e a situação inversa na China.

"É até estranho falar em excesso de poupança interna, mas a China tem 51% do produto (interno bruto) de poupança e 42% do produto em investimento, o que dá uma poupança líquida de 9%", disse Meirelles. "Esse desequilíbrio chegou ao limite e parte importante da solução passa pelo aumento da poupança nos EUA e do consumo doméstico na China." Sobre a política monetária chinesa, Meirelles foi evasivo. "Valorizar ou não valorizar o yuan será uma discussão importante que será tratada na reunião do G-20", afirmou.

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