FMI mantém 'otimismo cauteloso' em relação a países emergentes

Fundo destaca em relatório, que será divulgado em outubro, preocupação com a crise que afeta a Europa

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h04

O Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém sua avaliação "cautelosamente otimista" sobre a desaceleração de mercados emergentes, em especial em relação ao Brasil, motivada em grande parte pela crise internacional que leva alguns países da Europa à recessão. "Acredito que esse é um processo de pouso suave desses países (em desenvolvimento)", destacou Abdul Abiad, subchefe da divisão de Estudos da Economia Mundial do Departamento de Pesquisas do FMI.

"Os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, normalmente têm espaço para adotar políticas quando o crescimento da economia não está num patamar satisfatório", acrescentou Abiad. Ele fez os comentários ao participar de entrevista coletiva em Washington para a apresentação dos capítulos analíticos do Panorama da Economia Mundial, que será divulgado pelo FMI no dia 9 de outubro.

O relatório aponta ainda que o Brasil está entre os exportadores para a China menos afetados por uma desaceleração de investimentos no país asiático. Segundo o texto, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuaria cerca de 0,1 ponto porcentual caso ocorra um recuo de 1 ponto porcentual na expansão da formação bruta de capital fixo (FBCF) chinesa. "Grandes exportadores de commodities com as economias mais diversificadas, como Brasil e Indonésia, registrariam declínios menores de seu crescimento."

De acordo com o documento, entre os países exportadores de commodities, o impacto maior seria registrado naqueles especializados na venda de minérios, com estruturas econômicas menos diversificadas e alta concentração de embarque de mercadorias básicas para a China. Segundo o FMI, o Chile registraria um impacto relativo quatro vezes maior do que o do Brasil, pois seu PIB diminuiria 0,4 ponto porcentual na mesma base de comparação.

O relatório do FMI aponta que a história das crises internacionais deixa lições para a gestão da economia de muitos países, especialmente para aqueles que lutam para reduzir o peso de dívidas públicas muito elevadas, que acabam arruinando a credibilidade fiscal, provocam expressivas alta de juros dos papéis oficiais e alimentam um ciclo negativo de expansão do passivo mobiliário.

Uma dessas lições é que a consolidação das contas públicas precisa ser complementada por medidas que viabilizem o crescimento do nível de atividade. E, para que isso ocorra, é essencial a colaboração ativa da política monetária, para estimular com vigor o nível de atividade.

O FMI baseia suas avaliações sobre o tema, ao estudar as dívidas públicas brutas de seis países que superaram a marca psicológica de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) num período de quase um século. As nações em questão são Reino Unido, Estados Unidos, Bélgica, Canadá, Itália e Japão.

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