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FMI melhora perspectivas para a América Latina

A América Latina superou as expectativas e crescerá 4,8% este ano, 0,4 ponto a mais que oprevisto inicialmente, e 4,2% em 2007, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas que se manifestou preocupado com o risco de que alguns países caiam no "populismo". As previsões de crescimento do Brasil aumentaram para 3,6% este ano e 4% no próximo, segundo o relatório semestral Panorama Econômico Mundial. O Fundo destacou que este ano o país atingiu a auto-suficiência na produção de petróleo. A análise do FMI para a América Latina reúne diversas advertências. A entidade teme uma mudança de direção quando diminuir a grande liquidez atual da economia mundial, circunstância que considera provável. O perigo é que os investidores pensem duas vezes antes de pôr seu dinheiro em ativos de risco, avalia. O FMI manifestou inquietação diante da incerteza política na América Latina, provocada pelas dúvidas sobre se alguns governos da região resistirão à tentação de adotar "medidas populistas". A instituição não foi mais específica, mas citou com preocupaçãoo aumento do gasto público, especialmente na Venezuela. O ano é de eleições em vários países da região, o que sempre tende a levar os governos a "abrir o bolso". O Fundo alertou que nem todos os países estão gastando seu dinheiro de forma adequada, e pediu austeridade fiscal para reduzir a dívida externa, como costuma fazer em seus relatórios sobre a região. Para o Fundo, os recursos devem ser canalizados para investimentos no setor de hidrocarbonetos. Além do Brasil, o relatório analisou a produção em países como México e Venezuela, onde ela cresce muito lentamente ou mesmo diminui. As críticas mais duras, no entanto, foram para Bolívia e Equador. A decisão de nacionalizar os hidrocarbonetos por parte do governo deEvo Morales "aumentou a incerteza e pode ter posto em perigo as perspectivas de novos investimentos", diz o texto. O FMI apontou ainda que a produção da estatal Petroecuador caiu e que a recuperação "depende da capacidade de o governo equatoriano melhorar o clima de investimentos". Apesar de todas as advertências, em seu relatório o Fundomelhorou as previsões de crescimento para as maiores economias da região. E os campeões do crescimento são justamente dois paísesmuito críticos às políticas econômicas recomendadas pelo Fundo:Argentina e Venezuela. A economia argentina crescerá 8% este ano, sete décimos a mais do que o previsto pelo órgão em abril; e 6% em 2007, 0,2 ponto acima da previsão inicial. O Fundo também havia subestimado aVenezuela, que vai crescer, segundo o estudo, 7,5% em 2006 e 3,7% em 2007, contra previsões de 6% e 3%. O México deve crescer 4% e 3,5% nos mesmos períodos. Os números latino-americanos empalidecem quando comparados com os de outras regiões de países em desenvolvimento. A Ásia, sem o Japão, crescerá cerca de 9% ao ano até 2007. A África registrará um crescimento de 5,4% este ano, e de 5,9% em 2007. Os piores resultados da América Latina nos últimos anos, em comparação com outras regiões, assim como sua lentidão para reduzir a pobreza, "alimentaram a frustração popular", segundo o Fundo. Para o FMI, a culpa do atraso não está nas medida neoliberais, como dizem alguns políticos e analistas, e sim na falta de reformas, como a privatização e a flexibilização das relações trabalhistas.Capital humanoAgustín Carstens, diretor adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), pediu à América Latina, nesta terça-feira um esforço para investir em capital humano, reduzir os custos das companhias e promover uma maior abertura comercial, para melhorar o crescimento econômico."A América Latina está sendo muito bem-sucedida, após uma situação difícil. Estou muito otimista, assim como o Fundo Monetário Internacional, que continuará apoiando a região", disse o mexicano Carstens, durante o seminário LatinAsia Biz, realizado em Cingapura."A região melhorou substancialmente na aplicação de políticas financeiras, o que ajudou a reduzir sua vulnerabilidade externa, e isso é muito importante", acrescentou o economista, o número três na hierarquia do FMI.Carstens afirmou que "a América Latina está há 10 anos exibindo um crescimento sólido, e espera-se que continue assim". Ele observou ainda a existência de algumas obrigações, como a redistribuição de renda.O diretor adjunto do FMI comentou que a renda per capita na América Latina, que mantém uma curva descendente, é inferior à de outras regiões, como os países emergentes da Ásia.Ele recomendou, como forma de combater o problema, uma maior consolidação macroeconômica, uma aceleração das reformas estruturais e a promoção da inovação tecnológica."Uma maior investimento ajudará a promover o crescimento", disse Carstens, que se encontra em Cingapura para participar da assembléia anual do FMI e do Banco Mundial.A LatinAsia Biz, cuja primeira edição aconteceu em 2004, reúne delegações empresariais de diversos países da América Latina, principalmente do Brasil, México, Chile, Peru e Panamá, assim como homens de negócios de várias nações asiáticas, entre elas Filipinas, China, Índia e Malásia. O objetivo do fórum é fomentar os investimentos e as associações entre os continentes.

Agencia Estado,

14 de setembro de 2006 | 06h28

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