FMI mostra preocupação com gastos públicos no Brasil

"O governo Lula tem conseguido sucesso nessa área, mas há mais a ser feito, e também direcionar mais recursos públicos para a infra-estrutura, além de se avançar nas possibilidades das parcerias público-privadas."O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou preocupação com o aumento dos gastos públicos do Brasil e apontou que eles precisam ser mais direcionados à área social e aos investimentos em infra-estrutura. Embora tenha elogiado os avanços econômicos do país nos últimos anos, o vice-diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo, Charles Collyns, afirmou que o crescimento do PIB brasileiro tem sido decepcionante e que será necessária "paciência" até ele seja acelerado.No relatório "Perspectiva Econômica Mundial", o Fundo alertou que vários países da América Latina - sem especificá-los - estão aumentando seus gastos públicos e que precisam se preparar para um ambiente menos favorável nos mercados externos.Collyns ressaltou que o País precisa implementar uma "extensa" agenda de reformas e o que Fundo tem enfatizado várias delas. "O gasto público é um dos pontos, pois é verdade que ele tem crescido rapidamente no Brasil ao longo dos últimos dois anos", disse.Ele salientou que arrecadação de impostos também aumentou de maneira rápida, "abrindo algum espaço" para esses gastos. "Mas consideramos importante que o gasto público seja mais focalizado, pois há um sistema muito extenso de restrições na maneira que eles são alocados e é importante se tentar encontrar algumas maneiras para concentrá-los mais em programas sociais específicos para as pessoas mais pobres", disse."O governo Lula tem conseguido sucesso nessa área, mas há mais a ser feito, e também direcionar mais recursos públicos para a infra-estrutura, além de se avançar nas possibilidades das parcerias público-privadas."CrescimentoCollyns salientou que "o Brasil tem feito muito nos últimos anos em termos macroeconômicos para crescer de maneira sustentada, seja em termos de implementação de uma estrutura de responsabilidade fiscal que está resultando em superávits primários altos e sustentáveis e também no estabelecimento de uma formatação bastante crível para o controle da inflação".Segundo ele, "os frutos dessas conquistas já estão sendo vistos em termos da resistência que o Brasil" exibiu ao enfrentar algumas condições adversas que afetaram os mercados internacionais em maio e junho de 2006."Mas concordo que a resposta em termos de crescimento tem sido de alguma maneira desapontadora e que alguma paciência será necessária", disse. Collyns observou que o Banco Central "encontra-se neste momento bem posicionado, reduzindo progressivamente a taxa de juros ao longo do último ano".Segundo ele, "com as expectativas inflacionárias baixando para a parte mais baixa da banda da meta inflacionária, há espaço para novas reduções dos juros, e com isso com o passar do tempo o crescimento aumentará no País".ReformasO economista do Fundo ressaltou que o país precisa também adotar reformas no sistema financeiro, observando que os spreads sobre juros no Brasil ainda são muito elevados. "Em parte, isso é um resíduo da instabilidade macroeconômica do passado será reduzido no futuro, mas ainda há uma série de fatores, como os elevados depósitos compulsórios não-remunerados e o crédito direto extensivo", disse."Algum progresso tem sido feito na área de sistema de informações sobre crédito e na Lei de Falências, mas uma maior consolidação dessas reformas ainda é necessária."Segundo Collyns, no futuro, "uma perseverança contínua nas reformas do setor financeiro" será muito benéfica ao País. "E a combinação de um ambiente macroeconômico estável um setor financeiro mais eficiente com taxas de juro menores devem gerar um crescimento maior para o Brasil".

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