FMI não flexibilizará acordo, diz Maria da Conceição Tavares

A economista Maria da Conceição Tavares não acredita que o governo brasileiro consigua uma renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que lhe dê mais autonomia. "Tenho minhas sérias dúvidas de que algum governo na América Latina seja capaz de mudar as regras do FMI. Se nem a Anne Krueger conseguiu!", afirmou. Em conferência na abertura do Seminário "Brasil em Desenvolvimento", na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a economista, ex-deputada federal pelo PT destacou dois projetos do governo: um, capitalista, de infra-estrutura e integração física da América do Sul e outro, não capitalista, de levar crédito ao pobre e à infra-estrutura para os pobres, como as de saneamento e assentamento. "Isso o FMI não deixa", disse, referindo-se ao segundo projeto e afirmando que bancos públicos, mesmo tendo recursos, não podem financiar municípios para as obras de saneamento. "A dívida intersetor público não pode aumentar", afirmou. "Acho isso muito mais grave que o superávit primário", afirmou. Ela recusou-se a fazer qualquer comentário sobre a situação do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, no cargo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.