FMI não vai abandonar o Brasil, acreditam analistas

Dada a importância do Brasil nos mercados regionais e seu grau de exposição internacional, o Fundo Monetário Internacional se sentirá compelido a ajudar o País agora, dizem analistas. "O FMI não irá abandonar o Brasil a essa altura", disse Lawrence Krohn, economista de América Latina do ING Financial Markets. Com exceção das "finalidades psicológicas" para acalmar o nervosismo dos investidores, o Brasil nem mesmo precisa desse dinheiro agora, acrescentou ele. Desde que o diálogo continue entre o Brasil e o FMI, não deverá haver o "tom desprovador, senão hostil", verificado no modo como o Fundo lidou com a crise financeira na vizinha Argentina, disse Krohn. "Eu não acredito que eles queiram que o Brasil fique numa situação tão ruim quanto a da Argentina" disse Jim Bonfils, vice-presidente de vendas da América Latina na Standard New York Securities. Ele acrescentou, entretanto, que não espera que o FMI se comprometa com uma grande quantidade de dinheiro antes das eleições. Ele explicou que não está nada claro se os candidatos à presidência vão seguir um novo acordo com o Fundo. Observadores de mercado destacam também que o Brasil ainda merece mais ajuda que a Argentina, por causa de sua disciplina fiscal maior. "As políticas adotadas pelo Brasil nos últimos quatro anos, ao contrário das da Argentina, estão mais em linha com as orientações do FMI", disse Ricardo Amorim, diretor de pesquisa de América Latina da IDEAglobal. Amorim também destacou a importância do Brasil nos mercados internacionais. "A comunidade financeira e as corporações estrangeiras em geral têm uma grande exposição ao Brasil." A Merrill Lynch, em comunicado divulgado ontem, sugeriu duas possibilidades para um pacote de ajuda do FMI: um programa de transição ou a extensão da ajuda sob o programa atual. "Um autêntico programa de transição seria a ajuda de maior impacto que o Brasil poderia obter do FMI", disse o banco de investimento. As informações são da agência Dow Jones.

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