Yuri Gripas/Reuters
Yuri Gripas/Reuters

FMI não vê vulnerabilidade externa no Brasil, mas incerteza política

Para o diretor para as Américas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, maior desafio do Brasil é o lado fiscal

Claudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 15h13

Apesar da volatilidade recente do câmbio, o Brasil não tem vulnerabilidades externas, mas enfrenta incerteza política doméstica e um "desafio fiscal importante", cuja solução dependerá do resultado das eleições presidenciais, avaliou nesta sexta-feira o diretor para as Américas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner.

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"Esse desafio é muito grande e já está presente no debate político, com as discussões sobre a Reforma da Previdência", observou Werner em entrevista coletiva em Washington. "Neste sentido, a agenda do Brasil para os próximos anos, para poder consolidar sua situação econômica, está muito clara e isso estará presente no processo eleitoral. O próximo governo dará os sinais importantes para vermos se esses pontos avançam ou não."

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Em sua avaliação, as incertezas internas contribuíram para a recente volatilidade na cotação do dólar, que chegou a quase R$ 4,00 na quinta-feira. Outro fator da turbulência cambial é o aperto das condições financeiras internacionais, com a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, disse.

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"Quando olhamos as vulnerabilidades externas, o Brasil é um país que não tem esse tipo de questão. É um país que tem uma economia que não enfrenta uma questão de conta corrente importante, é uma economia que não tem uma necessidade de financiamento externo grande", ressaltou Werner. "Sabemos que o Brasil possui uma posição muito sólida quanto às reservas e à força do Banco Central, que está bem posicionado para enfrentar a volatilidade."

O diretor do FMI observou que há mercados emergentes vulneráveis, que sofrem de maneira mais aguda os efeitos da valorização das moedas dos países desenvolvidos. Mas ele observou que há um "grupo muito importante" de emergentes que tem um setor financeiro, um balanço de pagamentos e um Banco Central com posições sólidas, que poderão enfrentar sem problemas a volatilidade internacional.

Questionado se o Brasil estava entre os vulneráveis, ele disse não ver problemas no setor externo, mas sim no doméstico.

Werner elogiou a decisão de Argentina de recorrer ao FMI no mês passado, quando as autoridades elevaram a taxa de juros a 40% para conter a depreciação do peso. "Obviamente estamos preocupados com outros países da região e esse foi um dos motivos pelos quais a Argentina buscou de maneira antecipada o Fundo, sabendo que este será um ano de volatilidade", afirmou.

Nesta quinta-feira, a instituição anunciou empréstimo stand-by de US$ 50 bilhões para ajudar o país a cumprir seus compromissos externos. A Argentina pretende sacar 30% do valor e manter os recursos restantes como um seguro preventivo contra eventuais agravamentos da situação internacional. 

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