FMI oferece US$ 100 bi a emergentes e exclui Argentina

Nova linha de financiamento pode ser usada para reforçar reservas internacionais e recapitalizar bancos

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

30 de outubro de 2008 | 08h48

O FMI vai oferecer até US$ 100 bilhões em sua nova linha de liquidez de curto prazo (SLF, na sigla em inglês), concebida para proporcionar rápidos desembolso de financiamento para países com fortes políticas econômicas, mas que estejam enfrentando problemas temporários de liquidez nos mercados de capital globais, segundo informou o Wall Street Journal. Em entrevista coletiva à imprensa, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que a Argentina não estaria qualificada à nova linha de financiamento porque suas finanças não passam por uma revisão do Fundo há mais de um ano.  Veja também:Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundoVeja os primeiros indicadores da crise financeira no BrasilLições de 29Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise   A Argentina também está fora de programas de empréstimos de muitas fontes de financiamento porque decretou a moratória de sua dívida soberana em 2001 e ofereceu apenas pagamento parcial de suas obrigações na reestruturação da dívida em 2005, que muitos credores consideraram inadequado. Os recursos seriam usados em grande medida para reforçar as reservas internacionais de um país, o que ajudaria o sacador a defender sua moeda. Contudo, os fundos também podem ser usados para ajudar a recapitalizar bancos ou cobrir contas despesas com importações.  Os países elegíveis a utilizarem a nova linha poderão desembolsar até 500% do valor de suas cotas. Esses empréstimos serão de três meses e os países poderão recorrer à linha no máximo três vezes durante qualquer período de 12 meses.  Como a linha será disponibilizada apenas para países com histórico de políticas saudáveis, acesso aos mercados de capital e encargos sustentáveis da dívida, o FMI não vai exigir àqueles que recorrerem à linha as condicionalidades de mudanças na política exigidas em outros programas de empréstimos do órgão.  Isso torna a linha potencialmente mais fácil para países emergente atingidos pela crise, tais como Brasil, México e Coréia para reforçarem suas reservas em dinheiro, suas moedas e sua habilidade em ajudar companhias em dificuldades abaladas pela fuga dos investidores estrangeiros. Duras condições De acordo com o WSJ, com a nova linha de financiamento de curto prazo, o FMI está basicamente dividindo os países em desenvolvimento em uma lista A, de nações qualificadas para os empréstimos sem amarras, e uma lista B, dos demais. Apesar de comentar sobre a Argentina, o FMI disse que não vai revelar os nomes dos países que tiveram seus pedidos rejeitados para obter os empréstimos livres de condições, para evitar que sua decisão não venha a piorar os problemas do candidato. O plano do FMI é o mais claro reconhecimento de que sua insistência em duras condições afasta potenciais tomadores de empréstimos que possam precisar de sua ajuda. Mas a nova linha SLF também coloca o Fundo em uma posição de decidir quem pode receber dinheiro com poucas amarras atreladas e quem não pode. As informações são da Dow Jones.

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