Yuri Gripas/Reuters
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Pandemia aumenta dívidas pelo mundo e deve reduzir crescimento nos próximos três anos, diz FMI

Fundo Monetário Internacional defende que as empresas com patamares extremamente elevados de dívida precisam reestruturar seus passivos ou serem liquidadas

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2022 | 12h01

A forte recessão provocada pela pandemia do coronavírus demandou uma resposta fiscal e de receitas de empresas e famílias que elevaram de forma expressiva o endividamento público e privado. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), tal aumento de alavancagem deve reduzir nos próximos três anos o crescimento de economias avançadas em 0,9%, em 1,3% para países emergentes e pode chegar a 9% para nações em desenvolvimento com condições fiscais mais fracas. A recuperação do nível de atividade tende a ser menor onde o aumento do passivo ficou concentrado em companhias com finanças vulneráveis e pessoas com baixa renda, há ineficiência para avançar a insolvência de firmas inviáveis e os bancos centrais precisaram elevar os juros rapidamente.

A crise provocada pela covid-19 culminou na expansão do endividamento privado em termos mundiais ao equivalente a 13% do PIB global em 2020, aponta o capítulo 2 do relatório Perspectiva Econômica Mundial. Tal fato reduziu a velocidade de retomada da demanda agregada internacional por causa de alguns fatores. Um deles é que o aumento substancial de passivos de empresas restringe o ritmo de captação de futuros empréstimos para investimentos. Outro elemento é que tal conjuntura gera um aperto das condições de concessão de crédito para as companhias. Além disso, empresas excessivamente endividadas provavelmente dedicarão boa parte das futuras receitas para o pagamento de débitos contraídos anteriormente, o que reduz os incentivos para os acionistas dessas companhias para dedicar recursos a fim de ampliar a formação bruta de capital fixo.

O FMI defende que as empresas com patamares extremamente elevados de dívida precisam reestruturar seus passivos ou serem liquidadas a fim de elevar a circulação de crédito para companhias que ainda podem se recuperar. “O apoio do governo para empresas deve ser limitado a circunstâncias nas quais há claras falhas de mercado.” Segundo o Fundo, poderia ser interessante para reduzir o peso destes gastos públicos o aumento temporário de impostos sobre “lucros excessivos” de companhias.

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