Jim Watson/AFP
Jim Watson/AFP

FMI pede aos EUA que elevem teto da dívida ''sem demora''

Fundo sugere cautela na retirada das medidas de estímulo fiscal e prevê efeitos ''amplos e negativos'' da crise para o resto do mundo

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou ontem os Estados Unidos a elevarem "sem demora" o teto da dívida pública para evitar a perda de confiança do investidor e o rebaixamento da classificação de risco de seu passivo de US$ 14,3 trilhões. Caso contrário, acentuou o Fundo, haverá efeitos "amplos e negativos" ao resto do mundo.

Ante o crescimento econômico ainda moderado, as autoridades americanas foram aconselhadas a se manterem "cautelosas" no momento de retirar as atuais medidas de apoio macroeconômico. As recomendações constam do relatório de avaliação periódica da economia americana elaborado pela diretoria do FMI.

O texto foi divulgado ontem, em meio ao impasse entre a Casa Branca e a Câmara dos Deputados sobre o aumento do teto da dívida pública, que se acentuou desde o fim de semana. Uma solução de consenso até 2 de agosto, prazo dado pelo Departamento do Tesouro antes de anunciar a suspensão de pagamentos federais, não era visível até ontem.

"Os diretores insistiram na necessidade de (os EUA) elevarem sem demora o teto da dívida federal e de forjarem um acordo em torno das características específicas de um plano integral de consolidação de médio prazo", mencionou o relatório. "O ajuste deveria se iniciar no exercício de 2012, para evitar o risco de uma perda prejudicial de credibilidade fiscal", completou, referindo-se ao início do próximo ano fiscal, em 1o de outubro.

Conforme detalhou o Fundo, a redução gradual do déficit fiscal americano permitiria ao resto do mundo manter uma remuneração mais baixa dos bônus de curto prazo. Aos EUA, significaria a preservação da "confiança dos investidores em sua habilidade de responder decisivamente aos desafios fiscais". "Uma consolidação gradual e crível pode aumentar a poupança nacional dos EUA, reduzir em termos reais as taxas de juros no mundo e os desequilíbrios de médio prazo", informou o FMI. "Entre vizinhos próximos, os impactos negativos de uma diminuição da atividade americana seriam enormes, se não houver melhoria nos mercados financeiros mundiais, dado o alto nível da dívida e do déficit fiscal dos EUA."

O relatório traz ainda uma perspectiva de crescimento real da economia dos EUA de apenas 2,5%, em 2011. No ano passado, foi de 2,9%. Para 2012, ano de eleição presidencial, a previsão é de expansão de 2,7%. A dívida bruta consolidada alcancará 99% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim deste ano, e o déficit do governo chegará a 9,3% do PIB. O FMI atribuiu a recente desaceleração do crescimento americano - 2% no primeiro semestre - à depressão do mercado imobiliário, à persistência do alto desemprego - 9,2% em junho - e à fraca confiança do consumidor.

Como as medidas de estímulo fiscal deverão ser restringidas com o plano de ajuste nas contas públicas, o Fundo recomendou cautela na retirada das medidas macroeconômicas. Ao Fed (banco central americano), sugeriu a continuidade da expansão monetária, por meio da taxa de juros baixa, com especial atenção à taxa de inflação - de 2,8% em 2011, na previsão do organismo, com redução para 1,6% em 2012.

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